quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Oficina de Declamação

Sob a orientação das acadêmicas Begma Tavares e Glaucia Costa, no dia 24 de outubro foi realizada uma Oficina de Declamação no Museu Espaço dos Anjos.

Muitos participantes eram alunos da professora Ana Cristina Miranda Fajardo, da Escola Estatual Justiniano da Fonseca, do distrito de Tebas. Tivemos também a presença de alunos do Centro Educacional Conhecer, localizado na Rua Dom Aristides. Outras instituições educacionais estiveram representadas, como o Conservatório Lia Salgado e a Escola Municipal Judith Lintz. Além disso, outros jovens participaram das atividades, ao lado de conhecidos poetas como Rodrigo Ladeira, Viliam de Oliveira, Ana Paula Torquato e Fabrício Manca.


terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Deodato Rivera: poesia, morte e ressurreição


Anderson Braga Horta
In: Sob o Signo da Poesia: Literatura em Brasília.
Thesaurus / FAC, Brasília, 2003.

Nascemos muitas vezes. Há o nascimento biológico, o único certificado como tal pelos cartórios; mas há outros e outros, alguns mais intensos que o primeiro, já porque desses nos possamos lembrar, já por iniciarem-nos em vivências que, pertinentes à globalidade da vida, parecem maiores que esta, mais férvidas, mais densas, mais vibrantes. Na mineira cidade de Leopoldina tive o privilégio de nascer —juntamente com Deodato Rivera e mais uns poucos jovens inexpertos e ansiosos— para alguns aspectos novos e excitantes da vida. Para aqueles que se nos desvelam com a adolescência. E para a Poesia.

Preciso resistir ao impulso de falar de cada um dos amigos e companheiros de então. A lembrança deles encheria páginas calorosas de um livro de memórias; mas devo conter-me nos limites de uma apresentação — a do poeta Deodato Rivera, que vi nascer, que nasceu comigo, e com quem comungo na irmandade da Poesia. E da Amizade.

 Em Leopoldina, naquele ano remoto e santo de 1950, encontramo-nos, não só no sentido social, mas no sentido espiritual da palavra, um grupo de adolescentes que nos faríamos amigos fraternos, para além das circunstâncias de tempo e espaço. Desse grupo, os que haveria de aproximar, em breve, também a Poesia éramos eu, Deodato e seu irmão, José Jeronymo, Hélcio Campomizzi e, logo, José Herberto Dias. Hélcio —irmão de Campomizzi Filho, que se tornaria crítico literário— cursou o caminho da Odontologia e, em seguida, o da Medicina, deixando para trás a tentação do Poema. Morreu de repente, do coração. Está presente neste livro, num de seus poemas confessionais, memorialísticos, elegíacos, o "Chapeuzinho Vermelho" (de apelido que lhe botamos, nem sei bem já por quê); mas está presente sobretudo em nós, como o lembra Deodato numa carta em verso de 1976 (uma carta em verso, sim! que ainda então, no longo desterro, era capaz desse romantismo o Poeta, como era, em seus tempos ubaense-leopoldinenses, o próprio Hélcio). Diz o missivista, referindo-se à perspectiva de volta à Pátria (para o que, entretanto, ainda teria de esperar uns quatro anos):

     Para que dizer-te a dor de já saber
      que o nosso Campomizzi não virá
      ao certo bota-dentro já mais perto?
      Assim nos quer o fado, mas vençamos
      a dor com o sentimento da presença
      do amigo amado em nós jamais mortal.

Mas avancei demais. Voltemos a Minas. Em 1953, já iniciados, todos nós, nos primeiros mistérios poéticos (e noutros, paralelos, mais gozosos, talvez, mas também, com certeza, infinitamente mais pungitivos), reunimos nossas penas no Três de Junho, "órgão dos alunos do Colégio Leopoldinense", obra de Jeronymo e Deodato, respectivamente diretor e secretário, prestigiada por Monsenhor Guilherme de Oliveira, que dirigia o Colégio. Os dois irmãos colaboraram profusamente em prosa e verso. Outro tanto se diga de Gustavo Monteiro de Castro Júnior, desaparecido, como Campomizzi, antes de madura a hora. Do grupo, compareceram ainda Hélcio e Herberto, com uma prosa cada um, nos sete números, tirados todos naquele mesmo ano.

José Jeronymo Rivera —aluno excepcional, que passava com média final 10 em todas as matérias— exibia uma grave e forte vocação poética, cedo e injustificavelmente abandonada. Transcrevo-lhe um soneto (que diria de filiação anteriana) impresso no n.º 2, de 20 de maio:

                                                           MÃE

                                                                                              José Jeronymo Rivera

                                               Quando, em meio à tristeza desta vida,

                                               Eu me vejo sozinho e abandonado,

                                               Sentindo o coração pulsar cansado,

                                               — Mortas as ilusões, e a fé perdida;

                                               Quando, ansioso, procuro no passado,

                                               No ideal que sonhei — visão sentida,

                                               Um consolo à minha alma dolorida

                                               — Um pouco de carinho ao desgraçado,

                                               Vejo um vulto celeste e silencioso

                                               Chegar-se a mim, beijar-me a fronte exangue,

                                               Banhando-me de luz e suavidade...

                                               És tu, ó mãe querida, o anjo bondoso

                                               Que me secas as lágrimas de sangue

                                               A brotarem da fonte da saudade...

Deodato era também dos melhores alunos, embora sem a rigorosa performance do mano. Os primeiros versos que publicou no Três de Junho revelam o jovem já voltado para uma poesia pensamental, social. Do n.º 1, datado de 5 de maio:

     RESSURREIÇÃO

(Paráfrase de Bécquer)

Na tosca sala jaz emudecida

A velha harpa, majestosa outrora,

Que hoje, no pó dos anos esquecida,

Relembra, triste, o seu passado e chora...

E nela quantas notas dormem, quantos

Suaves sons lhe morrem ressentidos

Da longa ausência de u'a mão que cantos

Lhe venha haurir de lábios ressequidos!

E quanto gênio, eu penso então, no fundo

Das almas dorme, por não ter no mundo

A mão que o tire do marasmo atroz;

A voz que o faça, Lázaro, da campa

Sair sorrindo, em lhe afastando a tampa,

Ressuscitado, ouvindo Aquela voz!...

Perdoem-me os amigos que eu lhes exiba assim essas primícias. Se defeitos tiverem, — são primícias. E suas qualidades são patentes.

No n.º 5, de 20 de agosto, estrearia a tendência social numa tentativa de verso livre, o "Poema Utópico", de que extraio a conclusão:

Se todos os homens fossem fortes de caráter,

se todos fossem sábios,

se todos fossem bons,

então não haveria guerra, revoluções, conflitos.

Então os exércitos seriam desnecessários,

e os homens, felizes.

Então, o Mundo teria ganho a paz.

O último número (e aqui me lembra o famoso soneto de Augusto dos Anjos, de que a terra leopoldinense abriga os ossos...), de 25 de outubro, trará um poema filosófico, já em forma sensivelmente evoluída:

POEMA DO HOMEM SIMPLES


Olhai-o bem: aquele é o homem simples...

Reparai como segue a passos leves

com a leveza de sua consciência...

Anotai o seu ar despreocupado,

como quem não se importa com o futuro,

como quem do passado não se lembra.

Ele vive somente do que apalpam

suas mãos,

do que vêem seus olhos,

percebem seus sentidos.

O presente que vive é sua vida;

o passado são luzes apagadas,

o futuro uma porta ainda fechada

que se lhe há de abrir...

Olhai-o bem: aquele é o homem simples...

Seus ideais de amor coloca-os perto,

onde possa alcançá-los, e, feliz,

sorri dos versos tristes do poeta

incompreendido;

não povoam suas noites pesadelos;

seu amor se assemelha às águas mansas

de um lago sossegado,

onde a lua, boêmia das alturas,

vem se mirar como donzela ao espelho;

seu amor, como as águas desse lago,

é quieto e silencioso, humilde e bom;

sua história é a mais simples das histórias,

sua vida, sem louros e sem glórias,

é a vida de muitos neste mundo...

Olhai-o bem: aquele é o homem simples...

As transcrições mostram a coerência da trajetória vital de Deodato Rivera: a seriedade no estudo; a diversificação das leituras; a preocupação ética, acima, a meu ver, da estética. No jovem, já o homem. Falta apenas, ao quadro, a nota lírica. Para completá-lo, nada melhor que este belo soneto:


Volto ao convívio de tuas cartas... Leio

linha por linha, devagar, buscando

achar de novo a sensação que veio

quando, uma a uma, vinham-me chegando.

São mil ternuras, frases carinhosas,

abraços, sonhos, confissões, desejos...

(Esse perfume bom de puras rosas

lembra o perfume dos teus puros beijos...)

E descobrindo vou, maravilhado,

que tem diverso significado

cada sinal, cada palavra, tudo:

aqui, no ponto, houve um suspiro mudo...

Houve um sorriso, ali, naquele traço...

Quer dizer beijo este "saudoso abraço"...


Pronto. Estão aí os traços fundamentais do retrato do Poeta. E do ser humano que é Deodato Rivera. O mais —insonegável, é certo— é desdobramento previsível, seqüência, conseqüência. A partida fôra dada.

Assim como nascemos e renascemos, também morremos vezes várias, no curso de nossa vida terrena. Já ambos no Rio de Janeiro, Deodato e eu retomamos as paralelas de nosso trajeto: trabalhamos juntos na mesma companhia de seguros, fizemos o mesmo concurso para a Câmara dos Deputados, passando em colocações contíguas. Em breve, porém, as paralelas de novo se afastariam, dessa vez de maneira mais radical, e por longuíssimos anos. Deodato revelava desde cedo insopitável vocação sacerdotal, isto é, a necessidade de entrega a uma causa; causa que fosse a um tempo filosófica e humanitária, que outro caminho não comportaria as dimensões de sua formação e de seu temperamento. (Nesse caminho, negligenciou a Poesia.) Passada a euforia do governo JK, da construção de Brasília, vieram os problemas, e veio 1964, inaugurando o anticlímax trevoso da Redentora. Nosso agitador foi demitido por abandono de cargo, não obstante o parecer da comissão administrativa, que viu justa razão para sua ausência. Perseguido, refugiou-se na embaixada da Iugoslávia, onde ainda pudemos visitá-lo eu, seu irmão e amigos. Começava a longa morte do exílio.

Em terras estrangeiras, contudo, pôde o homem retemperar-se. Conheceu novos climas, novos costumes, outras culturas; estudou, lecionou; reviveu, enfim. E, passada uma década de andanças, ocorreu a ressurreição do poeta. Para que ele próprio o relate, transcrevo parcialmente carta que me enviou de Les Ulis, França, datada de 4 de agosto de 1979:

     Não lhes falei nada do livrão porque queria fazer surpresa. Agora que já sabem posso esticar-me um pouco. Juntei toda a obra poética desse "renascimento" de há cinco anos em dez livros bem marcados, e o resto que está em inglês talvez se organize num último livro cujo título já escolhi: Songs of Love and Peace. Dos dez nove são em português, e constituíram o livrão chamado Diaspoerança. O décimo, que consta de 12 poemas em espanhol, chama-se Canto a Chile en Sangre, do qual lhe estou enviando uma amostra tomada ao azar, não sendo o que mais aprecio. Condensa algo da experiência desse segundo exílio (o poema, não o livro todo que é produto da grande tragédia social e humana que nos foi dado assistir, infelizmente). Gosto demais desse décimo livro, apesar de mais panfletário e talvez mais ingênuo e otimista, apesar de tudo, que os outros. Mas como, segundo penso, foi ele — ou melhor, sua motivação, a náusea do banho de sangue fascista, o terror, a angústia por amigos, conhecidos, povo que admirávamos — que determinou o "renascimento" poético, a angustiada busca das raízes para reencontrar o desejo de vida e de amor quando a morte escandalosa e cruel de milhares de inocentes te fazem duvidar de tudo e até de ti mesmo, perdôo-lhe a natureza talvez menos poética e propositadamente didática de que imagino o bardo de Lajinha não gostará. (Se tudo correr bem mandarei cópia breve, depende de encontrar uma máquina copiadora amiga, pois os fundos de difusão estão a zero.)

      Diaspoerança é uma história complicada, assim uma espécie de vários poetas num só, apenas que com o mesmo nome para não imitar o nosso Pessoa. Na verdade há de tudo em temática, tonalidade, se me entende, e estilo. O que me animou a reunir tudo foi a opinião dos amigos a quem os poemas despretensiosos agradavam, como vocês aí em Brasília e algumas aves de passo que estimulavam a publicação. Quando classifiquei tudo por data percebi que a ordem temática saía por si mesma, havia uma clara evolução ou processo de transformação (não necessariamente para melhor, no caso cada "fase" correspondeu a uma importante etapa numa espécie de catarsis e redescoberta interior para libertar os fantasmas reprimidos há 4 décadas quase, melhor, ao longo de, pois aos primários agregaram-se alguns secundários duros de roer...). E olha o livrão pronto sozinho! Não deu outro trabalho que fazer uma dedicatória, um poema que se chama "Para Alice", bolar o título-síntese e pronto.
Na linha seguinte, dir-se-ia "ligeiramente desconfiado de que o poeta morreu"... de novo! Mas isso já não me preocupou; já sabia, então, que a vida é feita de mortes e ressurreições; e o poeta nunca morre de todo.

E o livro aqui está, enfim; com aproximadamente a mesma estrutura e os mesmos poemas, mudado o título.

Voltaria o amigo a escrever-me em 12 de setembro. Preparava-se para o regresso, que se daria no ano seguinte. Da emoção dessas vésperas dizem uns tercetos e um soneto que me enviou nessa carta; transcrevo-os, pois não foram incluídos no livro. Primeiro os tercetos:

                                               PASSAPORTAGEM


                                               O poeta a que sai?

                                               Em Paris buscar vai

                                               Documento feliz.

                                               O poeta o que tem?

                                               Tem saudades, no trem,

                                               De um longínquo país...

                                               O poeta o que quer?

                                               Quer gritar, chorar quer.

                                               Mas coragem, quem diz?

                                               O poeta o que faz?

                                               Faz de conta que em paz

                                               Vai de trem a Paris...

Agora o soneto (branco), em que sobressai a beleza do verso final:

  BRASIL
Amava-te e deixei-te por amor,

E mais amor nasceu no longo exílio.

Maior fora essa funda provação,

Maior amor trouxera-te oferente.

O lábaro que ostentas estrelado

Nas asas da saudade me seguia

E em mim mesmo brilhava, não perdido,

Porque comigo erravas pelo mundo.

Venci contigo míticos fantasmas,

Dragões imaginários derrotei,

Saltei barreiras e evitei escolhos.

E em noites de amargura, se chorava,

Consolo me trazias, pois sentia

Teus rios a escorrerem-me dos olhos...

Deodato Rivera, o homem e o poeta, está, pois, entre nós. A entranhada vocação sacerdotal a que aludi, ele a dirige, hoje, à causa da criança — que se confunde, a bem dizer, com a causa nacional.

Deixo nestas linhas, repito, apenas esboçados os traços essenciais do poeta e do homem. Há de sem dúvida ampliá-los e aprofundá-los a leitura e fruição dos poemas.

(1994)


sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Rememorando o evento do dia 17 de outubro de 2014


No dia 17 de outubro a ALLA recebeu um grupo de poetas de Juiz de Fora, dando início às Homenagens pelo centenário de morte de Augusto dos Anjos com uma visita ao túmulo do poeta. Em seguida, uma visita à Praça Dom Helvécio, onde os visitantes puderam admirar a majestosa construção da Catedral de São Sebastião e seguimos para a Casa de Leitura Lya Maria Müller Botelho, sendo recebidos pelo coordenar Alexandre Moreira.


Mais tarde os escritores de Juiz de Fora fizeram uma visita guiada ao Museu Espaço dos Anjos e, no Anfiteatro Luiz Raphael Domingues Rosa, aconteceu a palestra de Daura Rocha e o Sarau, aberto com palavras do presidente da Academia Leopoldinense de Letras e Artes. 


Trechos da fala do Dr. Ronaldo Alvim Barbosa.
Farei uma homenagem aos poetas e comentários para os não poetas... Como eu. Cecília Meireles escreveu:
 “Eu canto porque o instante existe
 e a minha vida está completa.
 Não sou alegre nem sou triste:
 sou poeta”.
Em meio à nossa rotina fatigada, que tempo temos reservado para o canto dos poetas? Quando foi a última vez que cantamos por sentir o instante presente e a nossa vida completa? Alguma vez conseguimos superar a dualidade da alegria e da tristeza, e ver o mundo com as lentes da poesia? O que sabemos sobre o olhar generoso dos poetas?
Cecília Meireles tinha 63 anos quando nos deixou, no ano de 1964. Passados 50 anos, onde estará agora nossa querida poeta?
[...]
Manoel Bandeira nos presenteou:
“Vou-me embora pra Pasárgada
 Lá sou amigo do rei
 Lá tenho a mulher que eu quero
 na cama que escolherei”.
O querido poeta abordou em seus poemas temas que lhes eram caros. A família, a morte, a infância em Recife, os indivíduos que compõem as camadas mais baixas da sociedade, os excluídos. Deixou uma poesia pessoal, atenta aos valores universais, capaz de mesclar melancolia e nostalgia com ironia e humor. Ele soube usar a força do sentimento e a tensão do espírito, a reflexão metafísica sobre a vida e a morte, evocadas pela combinação de palavras.
O mais lírico dos nossos poetas, faleceu no dia 13 de outubro de 1968, aos 82 anos. Passados quase 50 anos, onde estará agora o nosso querido poeta?
[...]
Para nós, os não poetas.
Precisamos refletir sobre a fragilidade e a efemeridade desta jornada terrena. É preciso ter ouvidos para os versos de Cecília, Bandeira e todos os queridos poetas, incluindo os aqui presentes. Precisamos ter olhos para as nuvens, as flores, e o sorriso das crianças. Permanecermos despertos, vivendo em plenitude o aqui e agora. Sem encanto e poesia, a vida, refém de relógios e calendários, não passa de uma luta insana. Constante atenção nos é exigida para que possamos alcançar a nossa Pasárgada, a nossa Bem-aventurança. Estender a mão, avançar com um coração aberto, procurar deixar o mundo um pouco mais belo a cada dia. Longa, árdua, e por vezes solitária é a caminhada rumo à Bem-aventurança. No entanto, é a única trilha que vale a pena ser percorrida.


terça-feira, 9 de dezembro de 2014

O Espiritualismo de Augusto dos Anjos

Anderson Braga Horta
[In: Criadores de Mantras; Ensaios e Conferências.
Thesaurus, Brasília, 2007.]


Jamais pude ver em Augusto dos Anjos um poeta materialista, na corrente acepção da palavra, que exclui a sobrevivência de um princípio pessoal, post mortem. Antes vejo nele o homem que reconhece a unicidade da Criação, apesar das perplexidades e revoltas, e aparentes descaídas maniqueístas – de que nos oferece duvidoso testemunho o soneto “Vítima do Dualismo”. Pois o seu monismo evolucionista não deve ser tomado por vesgo, unilateral: nele inclui-se, como contraface, um espiritualismo1 decerto não ortodoxo, e não sistematizado. Sua filosofia abrange espírito e matéria, integradamente, aspectos ou estados que são da “substância universal” única. A amargura, o pessimismo, a brutalidade da sua poesia têm raízes não na espécie de niilismo que o poeta às vezes aparenta, mas na sua condição de filho de uma aristocracia rural falida; de intelectual desarmado para a vida prática, em que a mediocridade reiteradamente triunfa sobre a inteligência pura; de homem fisicamente débil e de psicologia conturbada, com antecedentes patológicos na família, segundo a informação de Francisco de Assis Barbosa nas “Notas Biográficas” apensas à 30.ª edição do Eu.2 Essa amargura, esse pessimismo, essa rudeza refletem-lhe a revolta contra a grosseria da vida em suas manifestações, contra a preponderância do aspecto material sobre o espiritual, contra a fatalidade da dor.
O espiritualismo apresenta-se-lhe filtrado e vigiado por uma poderosa, ciosa mente lógica. Esta, embora limitada, aponta para além de sua limitação. É um círculo cujos raios olham para fora, mas não sabe como se abrir. Em outras palavras, pode ela “adivinhar” o transcendente, mas não captá-lo, vivê-lo. Eis o drama do intelecto, atingir os próprios limites. Parece que o poeta não logrou desenredar-se inteiramente. Terá contribuído para tanto a sua pouca vida, pois morreu aos trinta anos, antes da plena maturidade. “Parece”, digo, por causa de sua quase onipresente revolta.
Tudo isso há de ser rastreado nos poemas. Vamos aos indícios e às evidências de seus versos, quanto possível, em “generalidade decrescente”.
O poeta invoca o nome de Deus em “As Cismas do Destino”, “Sonho de um Monista”, “A um Carneiro Morto”, “Os Doentes”, “A Meu Pai Doente”, “A Árvore da Serra”, “Noite de um Visionário”, “A Ilha de Cipango”, "Poema Negro”, “Barcarola", “Ultima Visio”, “Viagem de um Vencido”, “Vox Victimæ” (como “Creador”).3 Não sobrecarregarei a enumeração com referência aos “Poemas Esquecidos” – onde, aliás, poucas notas antecipam as culminâncias a que subiria o poeta.
É verdade que a freqüência do nome Deus poderia, em princípio, atribuir-se a um fator meramente cultural, tanto mais que Augusto nascera em berço cristão. Mas há, quanto a isso, dois pontos positivos para nossa tese:
1) Só uma vez tal nome vem grafado com inicial minúscula, e é na décima primeira estrofe da parte VIII de “Os Doentes”:

“Eu maldizia o deus de mãos nefandas
Que, transgredindo a egualitária regra
Da Natureza, atira a raça negra
Ao contubérnio diário das quitandas!”

Aqui, a palavra “deus” não se refere ao “Criador”; mas no mesmo poema já aparecera com maiúscula – na primeira estrofe da parte II:

“Minha angústia feroz não tinha nome.
Ali, na urbe natal do Desconsolo,
Eu tinha de comer o último bolo
Que Deus fazia para a minha fome!”

Afigura-se-me significativa a distinção feita pelo autor (e confirmada pelo confronto com edição anterior).4
2) Algumas vezes o nome de Deus aparece carregado de inequívoca significação, como em “Sonho de um Monista”:


“.... dentro da alma aflita
Via Deus – essa mônada esquisita –
Coordenando e animando tudo aquilo!”,

onde é identificado à “energia intracósmica divina / Que é o pai e a mãe das outras energias”. Apenas mais um exemplo, o terceto final de “Vox Victimæ”, em que o poeta se refere “Ao corpo ubiqüitário do Creador”.
Alusões, que isoladas também se tomariam por “culturais”, a Jesus Cristo, figuras do Antigo e do Novo Testamento, santos, Buda, o Nirvana, livros sacros e profetas ou iluminados de religiões ou filosofias orientais, – conjugadas revelam interesse que devia ultrapassar a mera curiosidade. Exemplifico, para ser breve, com “O metafisicismo de Abidarma”, do “Monólogo de uma Sombra”;5 as menções ao Ftá-Hotep e ao Rig-Veda, de “Agonia de um Filósofo”;6 Siva, Arimã, o In (“As Cismas do Destino”); “as quietudes nirvânicas mais doces”, a “negra eucaristia”, o “caos budista”, Sidarta, etc. (“Os Doentes”). Não invalidam o argumento, pelo pouco, os passos em que tais alusões ou invocações falam a língua da revolta –e já se antecipou que o espiritualismo de Augusto, sobre heterodoxo, tinha o forte matiz desse sentimento–, como em “As Cismas do Destino”:

“Escarrar de um abismo noutro abismo,
Mandando ao céu o fumo de um cigarro,
Há mais filosofia neste escarro
Do que em toda a moral do cristianismo!”

Quanto às contradições de seu pensar-e-sentir, que oscila entre um Deus na aparência católico, do catolicismo da infância, e teologias mais ousadas, creio-as próprias de quem busca e tateia. Valho-me de Francisco de Assis Barbosa:7

“A procura da verdade, que foi aliás um ideal tolstoiano, levou-o a Schopenhauer e, através do autor de Dores do Mundo, chegaria ao braamanismo e ao budismo. Poderia chegar até ao ocultismo ou ao teosofismo, na mesma estrada percorrida por Fernando Pessoa, que se tornaria vulgarizador em Portugal do esoterismo de Madame Blavatsky e tradutor de todos ou quase todos os livros de Annie Besant. Pois Augusto dos Anjos se informara da ciência esotérica, embora sem ser um iniciático, pelo menos não há notícias disso. Todas essas correntes se cruzam no filosofismo do poeta, bem mais complexo do que aparentemente se supõe, mesmo porque não teria renegado de todo a fé católica. Mas, ainda rezando e aceitando todas as práticas do catolicismo, o seu mundo estaria bem mais próximo de Buda, com a total negação da existência material, à base de uma mortificação moral contínua. O conceito de destino do poeta se confundiria, pois, com o significado búdico da própria vida, o qual foi assim definido por um seu contemporâneo, por sinal dos mais chegados ao autor do Eu, Orris Soares: ‘a existência é má porque está inseparável da dor, havendo a permanência do sofrimento’.”

A transcrição é extensa mas, como se vê, indispensável. E, para demonstrar que o poeta não estava a servir-se de um "filão", por esnobismo, eruditismo, exotismo, mas exercia uma opção ditada do íntimo, é decisiva esta observação de seu biógrafo:8

“.... não estaria preocupado em seguir a moda, tanto assim que não se impressionou com o positivismo, quando o prestígio de Augusto Comte ainda se mantinha de pé, sobretudo no Brasil.”

Não é ocioso assinalar-lhe, como um dos extremos do pêndulo, a crença, ficta ou verdadeira, nos signos do zodíaco, espelhada no soneto “Psicologia de um Vencido”:

“Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.”

A propósito, e para encerrar a transfusão de Assis Barbosa,9 retranscrevemos trecho de carta do poeta a sua mãe, Sinhá Mocinha:

“No dia em que fui nomeado” (para o Ginásio Nacional), “referi à Ester seu antigo sonho, concretizado agora iniludivelmente. Ensina um filósofo sombrio da Germânia que as verdades fundamentais da natureza e alguns acontecimentos efêmeros da vida fenomenal são revelados em sonhos, pela psiquê de certos espíritos privilegiados. A inscrição da tábua profética está pois realizada.”

Evidências de que Augusto era esse perquiridor em que temos insistido estão disseminadas por toda a sua obra, e.g.: “– Quem sou? Para onde vou? Qual minha origem?” (“Poema Negro”). E as evidências de que era um torturado da ânsia de autoconhecimento (esse fulcro do pensamento espiritualista mais avançado) vêm desde o título –Eu– do único livro que publicou, sem atenuação nas “Outras Poesias”. Gostaria de citar o soneto “Natureza Íntima”, em que põe na voz da Natureza –com a qual, creio, aí se identifica– estas palavras:

“Pois é possível que Eu, causa do Mundo,
Quanto mais em mim mesma me aprofundo,
Menos interiormente me conheça?!”

“Alma” e “Espírito” são palavras igualmente encontradiças na obra anjosiana. O contra-argumento prévio é que se trata de palavras correntes, indispensáveis, freqüentemente desvinculadas de qualquer sentido espiritualista ou transcendente, para significar a essência, a personalidade, feixes de energias não necessariamente eternas enquanto individualidades. E é preciso reconhecer que, às vezes, pelo menos à primeira vista, o poeta parece aceitar a eternidade da alma tão-só enquanto energia, nisso não ultrapassando a aplicação do princípio de Lavoisier; descrendo, pois, da permanência do indivíduo, da personalidade. Assim no soneto “A um Epiléptico”, tercetos:

“Mas após o antropófago alambique
Em que é mister todo o teu corpo fique
Reduzido a excreções de sânie e lodo,

Como a luz que arde, virgem, num monturo,
Tu hás de entrar completamente puro
Para a circulação do Grande Todo!”

A um segundo olhar, entretanto, nota-se a oposição espírito-matéria, não como no pensamento dualista, mas como aspectos mínimo e máximo da “substância universal”. E só quando assumido o aspecto máximo entra a substância “para a circulação do Grande Todo”. Dos Anjos dá a entender, em vários poemas, que compreende o Universo como infinito cadinho para as transformações da Substância, passando pelo grau maior do espírito mas com vistas à Integração final. Vamos aos exemplos disso e da intencionalidade com que reiteradamente se refere a “alma” ou “espírito”.

De “Último Credo”:

"Creio, como o filósofo mais crente,
Na generalidade decrescente
Com que a substância cósmica evolui...

Creio, perante a evolução imensa,
Que o homem universal de amanhã vença
O homem particular que eu ontem fui!”

De “Gemidos de Arte”:

“Mas a carne é que é humana! A alma é divina.
Dorme num leito de feridas, goza
O lodo, apalpa a úlcera cancerosa,
Beija a peçonha, e não se contamina!”

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“Fico a pensar no Espírito10 disperso
Que, unindo a pedra ao gneiss e a árvore à criança,
Como um anel enorme de aliança,
Une todas as coisas do Universo!

E assim pensando, com a cabeça em brasas
Ante a fatalidade que me oprime,
Julgo ver este Espírito sublime,
Chamando-me do sol com as suas asas!”

....................................................................

“Seja este sol meu último consolo;
E o espírito infeliz que em mim se encarna
Se alegre ao sol, como quem raspa a sarna,
Só, com a misericórdia de um tijolo!...”

De “A Árvore da Serra”:
“– As árvores, meu filho, não têm alma!”
....................................................................

“– Meu pai, por que sua ira não se acalma?!
Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?
Deus pôs almas nos cedros, no junquilho...
Esta árvore, meu pai, possui minh’alma!...”

Do “Poema Negro” (provavelmente escrito sob clima de desvario):

“Não! Jesus não morreu! Vive na serra
Da Borborema, no ar de minha terra,
Na molécula e no átomo... Resume
A espiritualidade da matéria
E ele é que embala o corpo da miséria
E faz da cloaca uma urna de perfume.”

De “Suprème Convulsion”:

“E a alma o obnóxio quietismo sonolento
Rasga; e, opondo-se à Inércia, é a essência pura,
É a síntese, é o transunto, é a abreviatura
De todo o ubiquitário Movimento!”

De “Guerra”:

“.... avidez com que o Espírito procura.
Ser perfeito, ser máximo, ser forte.”

De “Numa Forja”:

“.... na Natureza,
.... a Matéria avança
E a Substância caminha
Aceleradamento para o gozo
Da integração completa”.

Augusto dos Anjos é não só “o poeta da Morte”, “O Poeta do Hediondo” –expressões dele–, mas também o poeta do fracasso, da estagnação, da “força desaproveitada” (ver “O Lamento das Coisas”, “O Pântano”, “A Meretriz”, “Numa Forja”, “As Montanhas”). Natural isso em quem aspira à transcendência, à plenitude (como se observa em “Último Credo”, passagens de “Os Doentes” e “Queixas Nocturnas”, “Ao Luar”, “Anseio”, etc.), em quem sofre a ânsia da Unidade e por isso queda insatisfeito, angustiado, perplexo ante o inacabado, o heterogêneo mundo fenomênico, o “pluralismo hediondo” (“Louvor à Unidade”).
Quanto ao evolucionismo anjosiano, como se fundamentaria, relativamente ao “aspecto máximo”, isto é, ao espírito? A hipótese reencarnacionista não pode ser desprezada, tantos indícios lhe encontramos no poeta. O mais veemente, talvez, está nos tercetos do “Solilóquio de um Visionário”,11 que reproduzo na íntegra:

“Para desvirginar o labirinto
Do velho e metafísico Mistério,
Comi meus olhos crus no cemitério,
Numa antropofagia de faminto!

A digestão desse manjar funéreo
Tornado sangue transformou-me o instinto
De humanas impressões visuais que eu sinto,
Nas divinas visões do íncola etéreo!

Vestido de hidrogênio incandescente,
Vaguei um século, improficuamente,
Pelas monotonias siderais...

Subi talvez às máximas alturas,
Mas, se hoje volto assim, com a alma às escuras,
É necessário que inda eu suba mais!”

Sabemos que o pensamento espiritualista atribui à dor função relevantíssima no processo de aperfeiçoamento da criatura; será ela um dos motores da evolução, destacadamente no plano espiritual. Não há de ser mera coincidência a importância que (como à morte) Augusto dos Anjos lhe dá. Poderia este fato meramente refletir a ciência de que só por meio dela o Homem cresce em sensibilidade e inteligência, sem conotações espiritualistas. Mas contra a interpretação restritiva se levanta, claro, o soneto “Minha Finalidade” (significativo, para este estudo, pelo que sugere o título, pelo final do primeiro quarteto, pelo todo, enfim):

“Na canonização emocionante
Da dor humana, sou maior que Dante”.

Coerentemente, assim se expressa no belíssimo “Hino à Dor”:

“Dor, saúde dos seres que se fanam,
Riqueza da alma, psíquico tesouro,
Alegria das glândulas do choro
De onde todas as lágrimas emanam...

És suprema! Os meus átomos se ufanam
De pertencer-te, oh! Dor, ancoradouro
Dos desgraçados, sol do cérebro, ouro
De que as próprias desgraças se engalanam!

Sou teu amante! Ardo em teu corpo abstracto.
Com os corpúsculos mágicos do tacto
Prendo a orquestra de chamas que executas...

E, assim, sem convulsão que me alvoroce,
Minha maior ventura é estar de posse
De tuas claridades absolutas!”

Para encerrar esta colheita, quero ainda transcrever dois sonetos. O primeiro, “Canto de Onipotência”, por sugerir uma teleologia espiritualista, coerente com o monismo evolucionista do poeta, em que se vislumbra a final superação do mundo fenomênico e a integração da consciência no “Grande Todo”, no Absoluto, na Divindade:

“Cloto, Átropos, Tifon, Láquesis, Siva....
E acima deles, como um astro a arder,
Na hiperculminação definitiva
O meu supremo e extraordinário Ser!

Em minha sobre-humana retentiva
Brilhavam, como a luz do amanhecer,
A perfeição visual tornada viva
E o embrião do que podia acontecer!

Por antecipação divinatória,
Eu, projectado muito além da História,
Sentia dos fenômenos o fim...

A coisa em si movia-se aos meus brados
E os acontecimentos subjugados
Olhavam como escravos para mim!”

Este outro, “Ultima Visio”, pela cristalinidade do sentido geral:

“Quando o homem, resgatado da cegueira
Vir Deus num simples grão de argila errante,
Terá nascido nesse mesmo instante
A mineralogia derradeira!

A impérvia escuridão obnubilante
Há de cessar! Em sua glória inteira
Deus resplandecerá dentro da poeira
Como um gasofiláceo de diamante!

Nessa última visão já subterrânea,
Um movimento universal de insânia
Arrancará da insciência o homem precito...

A Verdade virá das pedras mortas
E o homem compreenderá todas as portas
Que ele ainda tem de abrir para o Infinito!”

Concluindo, ressalto que o espiritualismo às vezes amargo, revoltado de Augusto dos Anjos não é passível de enquadramento numa denominação, se bem que certas de suas fontes visíveis e a insistência em determinadas noções o aproximem de algumas. As próprias contradições encontráveis no poeta são as de quem procura “apreender o Inapreensível” e, pelo fato mesmo de andar buscando, não pode vestir a camisa do Sistema.
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1. Esta palavra, “espiritualismo”, é conveniente; mas não deixemos de notar que, de um ponto de vista monístico, a oposição espiritualismo x materialismo é oca, fruto de nossa visão parcial.
2. Livraria São José, Rio de Janeiro, 1965. É a edição utilizada para este trabalho.
3. Mantemos, quando implique ou possa implicar diferença fonética, a grafia quase sempre conservadora da edição utilizada.
4. A 20.ª, de Bedeschi, Rio, s/d.
5. Vejam-se as notas de Antônio Houaiss ao poema, in: Augusto dos Anjos, Coleção Nossos Clássicos, n.º 46, Livraria Agir Editora, Rio de Janeiro.
6. Idem, ibidem.
7. Loc. cit., p. 316.
8. Ibidem.
9. Ibidem.
10. Aqui, “Espírito” é a “substância universal” (ver “Agonia de um Filósofo”); na estrofe seguinte, parece identificar-se à Divindade.

11. Clóvis Ramos, citando Fausto Cunha, in: Temas Espíritas na Poesia Brasileira, Sabedoria, Rio, 1969, pp. 120-121.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Leopoldina e Luiz Raphael: um caso de amor

Texto de Alexandre Moreira sobre os quadros em exposição na Casa de Leitura Lya Maria Müller Botelho - Rua José Peres, 4 - Centro - Leopoldina, MG. Aberta ao público de 4 de novembro a 20 de dezembro de 2014, a mostra é patrocinada pela ENERGISA e tem Apoio Institucional da FOJB-Fundação Ormeo Junqueira Botelho.

Luiz Raphael Domingues Rosa é patrono da Cadeira número 14 da Academia Leopoldinense de Letras e Artes.


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014