sábado, 22 de novembro de 2014

Augusto dos Anjos visto por alguns biógrafos e pensadores

Comunicação apresentada por José Luiz Machado Rodrigues e Nilza Cantoni no dia 7 de novembro de 2014, no Museu Espaço dos Anjos, como parte das homenagens pelo centenário de morte de Augusto dos Anjos.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

O Grotesco e o Sublime na Poesia de Augusto dos Anjos

Palestra proferida pelo nosso acadêmico Anderson Braga Horta no último dia 13 de novembro, na Associação Nacional de Escritores - ANE, em Brasília, em homenagem ao Centenário de Morte de Augusto dos Anjos. 


Num 12 de novembro, há cem anos, morria o poeta do Eu, o visionário Augusto dos Anjos, notável entre os grandes. Vejamos alguns pontos de sua brevíssima trajetória:

20 de abril de 1884: nascimento no Engenho Pau d’Arco, no atual município de Sapé, Estado da Paraíba.

1907: bacharela-se pela Faculdade de Direito do Recife.

1910: casamento com Ester Fialho.

1912: publicação do Eu. Postumamente, organizada por seu amigo Órris Soares, saiu nova edição, ampliada, com o título Eu e Outras Poesias. 

Professor, lecionou em diversos estabelecimentos do Rio de Janeiro. Nomeado diretor de um grupo escolar em Leopoldina, os últimos meses de vida passa-os nesta cidade mineira, onde sua memória tem sido sempre cultuada. É patrono da Academia Leopoldinense de Letras e Artes.

12 de novembro de 1914, 4 horas da madrugada: morre de pneumonia, aos 30 anos de idade –tão pouca vida, mas tão suculentos frutos!–, sem vislumbrar a glória que circundaria o seu nome, em breve tempo. 

Singularizou-se por uma metrificação tensa, mas marcadamente rítmica, de musicalidade própria, e linguagem incomum, com vocabulário tomado em boa parte às ciências naturais. Poeta filosofante, metafísico, perquiridor do eu, inquisidor da origem e da finalidade do homem, foi dos mais altos de nossa língua. Para homenageá-lo, no centenário de seu desaparecimento, não vamos relembrar-lhe a sofrida vida, nem vasculhar-lhe a obra tão extensa e intensamente estudada. Vamos destacar alguns dos aspectos do dualismo que permeia o seu pensamento poético, particularmente o pêndulo entre o grotesco e o sublime, e apreciar a alta tensão de sua poesia à luz de realizações notáveis sobre esse fulcro.

Partamos da conceituação dos termos. O sublime, na definição dos dicionários, é o páramo da perfeição em termos de valor moral, intelectual ou estético, é o superlativamente belo, é o esteticamente perfeito. Já o grotesco (ou grutesco), na acepção que atende ao propósito desta homenagem, é o disforme, o ridículo, o extravagante; a animalidade inferior; o oposto do sublime.

Acerca do grotesco, entretanto, convém que se diga algo mais. Nesse sentido, valha-nos o estudo introdutório que Fernando Mendes Vianna, poeta de alta voltagem, fez para as traduções do autor das séries La Légende des Siècles (feitas por nós ambos e por José Jeronymo Rivera, e estampadas em O Sátiro e Outros Poemas – Galo Branco, Rio, 2002). Nesse magnífico ensaio, intitulado “Victor Hugo – Duzentos Anos de Poesia”, o capítulo final é dedicado ao Prefácio do Cromwell, que Fernando exalta e resume. Eis o excerto que nos interessa para o momento:

Com o cristianismo “a poesia dará um grande passo, um passo decisivo, um passo, comparável a um terremoto, que mudará a face do mundo intelectual”. Ela começara a fazer como a natureza, a misturar em suas criações – sem no entanto confundi-las – a sombra e a luz, o grotesco e o sublime; em outras palavras, o corpo e a alma, a besta e o espírito; pois o ponto de partida da religião é sempre o ponto de partida da poesia. Surge então um tipo novo que se introduz na poesia. Esse tipo é o grotesco. Segundo Victor Hugo, trata-se do “traço fundamental que separa a arte moderna da arte antiga”. “É da fecunda união do tipo grotesco com o tipo sublime que nasce o gênio moderno.” Não que não existissem elementos grotescos na literatura antiga. “Os tritões, os sátiros, os ciclopes estão entre os grotescos; e as Sereias, as Fúrias, as Parcas, as Harpias.” ....
No pensamento dos modernos .... o grotesco tem um papel imenso. Está em tudo; por um lado, cria o disforme e o horrível; pelo outro, o cômico e o bufão.”
A propósito desse louvor do feio (em contraposição ao belo e sua idealização unilateral nos princípios artísticos tradicionais, em que o belo e o feio são antípodas), a lição será bem aprendida com o uso do horroroso em poemas como “La Charogne” de Baudelaire. ....
Tanto quanto o belo horrível, o uso do bizarro foi também dos hábitos de Charles Baudelaire. ....
.... “Seria exato dizer que o contato do disforme deu ao sublime moderno algo mais puro, mais grandioso, mais sublime enfim que o belo antigo.”
Prossegue Victor Hugo: “O belo só tem um tipo; o feio tem mil.” Sobre essa multiplicidade de modelos do feio, ressalta o significado da feiúra: “O belo, falando humanamente, é apenas a forma considerada no seu relacionamento mais simples, na sua simetria mais absoluta, na sua harmonia mais íntima com a nossa organização. Também nos oferece um conjunto completo, mas restrito como nós. O que chamamos o feio, pelo contrário, é um detalhe de um grande conjunto que nos escapa, e que se harmoniza não com o homem, mas com a criação inteira. Eis por que nos apresenta sem cessar aspectos novos, mas incompletos.” ....
Tudo demonstra, na época dita romântica, sua aliança íntima e criadora com o belo. Até as mais ingênuas lendas populares explicam às vezes, com um admirável instinto, esse mistério da arte moderna. A Antigüidade não teria produzido A Bela e a Fera.” (Pela segunda vez Hugo refere-se ao aspecto bestial e bestialmente grotesco do homem; mas no sentido de crer numa superação da separação entre o belo e o grotesco como está nessa lenda.)

Não deixa de ser curioso falar de dualismo relativamente a um pensador marcado por um monismo evolucionista, autor de uma poesia povoada de mônadas e da “substância universal”. Vejam-se, a propósito, os sonetos “Sonho de um Monista” (“dentro da alma aflita / via Deus – essa mônada esquisita – coordenando e animando tudo aquilo!”), “Apóstrofe à Carne” (“Carne, feixe de mônadas bastardas”), “Agonia de um Filósofo” (“o império da substância universal”), “Último Credo” (“Creio, como o filósofo mais crente, na generalidade decrescente / com que a substância cósmica evolui”) ou o final da segunda parte de “Revelação” (“Ah! Sou eu que, transpondo a escarpa angusta / Dos limites orgânicos estreitos, / Dentro nos quais recalco em vão minha ânsia, // Sinto bater na putrescível crusta / Do tegumento que me cobre os peitos / Toda a imortalidade da Substância!”) . Não nos escandalize, aí, uma contradição em termos; notemos, antes, que o paradoxo é aparente, pois ao princípio único fundamentador de toda a realidade segue-se um pluralismo (ver o soneto “Vítima do Dualismo”) que, todavia, há de voltar à singularidade, qual o expressa o Poeta em “Louvor à Unidade”:

Escafandros, arpões, sondas e agulhas
Debalde aplicas aos heterogêneos
Fenômenos, e, há inúmeros milênios,
Num pluralismo hediondo o olhar mergulhas!

Une, pois, a irmanar diamantes e hulhas,
com essa intuição monística dos gênios,
À hirta forja falaz do ære perennius
A transitoriedade das fagulhas!”

– Era a estrangulação, sem retumbância,
Da multimilenária dissonância
Que as harmonias siderais invade...

Era, numa alta aclamação, sem gritos,
O regresso dos átomos aflitos
Ao descanso perpétuo da Unidade!
Ao falar de grotesco, falamos, pois, extensivamente, de dualismo, oposição e/ou complementação matéria-espírito, belo-feio, sutil-grosseiro; do eu individual, sim, mas, sobretudo, do coletivo eu de nossa humanidade. Síntese no primeiro quarteto de “Revelação, II”:

Treva e fulguração; sânie e perfume;
Massa palpável e éter; desconforto
E ataraxia; feto vivo e aborto...
– Tudo a unidade do meu ser resume!

O dualismo, seja dito de passagem, é responsável por uma fagulha imperecível, o verso
Monstro de escuridão e rutilância,
inscrito no primeiro quarteto de “Psicologia de um Vencido”.

Não poderiam faltar a nossa exemplificação os versos mais popularizados de Augusto dos Anjos (embora se situem aquém de suas mais sublimes composições), os “Versos Íntimos”:

Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera –
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável, 
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
O Autor, nesse soneto –e em tantas outras peças magníficas–, transformou uma coisa horrenda num artefato de beleza. É verdade que, se em geral ele parte do grotesco para transcendê-lo, e nos melhores momentos atinge o sublime poético, tal não ocorre neste poema. Temos, aqui, o que chamo soneto de efeito, isto é, o construído com imagens e conceitos extravagantes ou chocantes que, se não dão o salto para a sublimidade, desembocam, todavia, num final de impacto. Contribuem para isso, no caso, a estranhidade da idéia, o paradoxo, o ar casual de uma palavra dirigida diretamente ao leitor (“Toma um fósforo. Acende teu cigarro.”), a contundência conceitual, tudo isso num arcabouço rítmico-lingüístico musicalmente perfeito. Não acredito que o Poeta professasse verdadeiramente a filosofia do escarro...

Diria que o horrendo está como que programaticamente inscrito já no primeiro poema do Eu, o “Monólogo de uma Sombra”, em que, se me perdoam a manipulação dos versos, se afirma na própria “ânsia dionísica do gozo” uma “necessidade de horroroso”... Augusto se identifica (sempre exclamativamente!) como “O Poeta do Hediondo” em versos particularmente impressivos:

Sofro aceleradíssimas pancadas
No coração. Ataca-me a existência
A mortificadora coalescência
Das desgraças humanas congregadas!

Em alucinatórias cavalgadas,
Eu sinto, então, sondando-me a consciência
A ultra-inquisitorial clarividência
De todas as neuronas acordadas!

Quanto me dói no cérebro esta sonda!
Ah! Certamente eu sou a mais hedionda
Generalização do Desconforto...

Eu sou aquele que ficou sozinho
Cantando sobre os ossos do caminho
A poesia de tudo quanto é morto!
Adiante, confirma-o neste quarteto de “Minha Finalidade”:
Predeterminação imprescriptível
Oriunda da infra-astral Substância calma
Plasmou, aparelhou, talhou minha alma
Para cantar de preferência o Horrível!
Às vezes o nojento e o sublime, o asqueroso e o divino aparecem lado a lado, como no “Solilóquio de um Visionário”:

Para desvirginar o labirinto
Do velho e metafísico Mistério,
Comi meus olhos crus no cemitério,
Numa antropofagia de faminto.

A digestão desse manjar funéreo
Tornado sangue transformou-me o instinto
De humanas impressões visuais que eu sinto,
Nas divinas visões do íncola etéreo!

Vestido de hidrogênio incandescente,
Vaguei um século, improficuamente,
Pelas monotonias siderais...

Subi talvez às máximas alturas,
Mas, se hoje volto assim, com a alma às escuras,
É necessário que inda eu suba mais!
É forte o contraste entre os quartetos e os tercetos, nestes quais a vocação para o alto se revela claramente superior ao lastro da matéria. Desse tipo de contraste soam-me ilustrativos também estes dois sextetos de “Poema Negro”:

A desagregação da minha Idéia
Aumenta. Como as chagas da morféia
O medo, o desalento e o desconforto
Paralisam-me os círculos motores.
Na Eternidade, os ventos gemedores
Estão dizendo que Jesus é morto!

Não! Jesus não morreu! Vive na serra
Da Borborema, no ar de minha terra,
Na molécula e no átomo... Resume
A espiritualidade da matéria
E ele é que embala o corpo da miséria
E faz da cloaca uma urna de perfume.
Com o Lamento das cousas, atingiu à perfeição. É um soneto formidável, dos maiores da língua portuguesa; grande pela idéia predominante, grande pela verdade científica, grande pelo sentimento doloroso, grande pela estrutura. Exagero? Lede comigo” (transcrevo, concordantemente, do “Elogio de Augusto dos Anjos”, de Órris Soares):

Triste, a escutar, pancada por pancada,
A sucessividade dos segundos,
Ouço, em sons subterrâneos, do Orbe oriundos
O choro da Energia abandonada!

É a dor da Força desaproveitada
-- O cantochão dos dínamos profundos,
Que, podendo mover milhões de mundos,
Jazem ainda na estática do Nada!

É o soluço da forma ainda imprecisa...
Da transcendência que se não realiza...
Da luz que não chegou a ser lampejo...

E é em suma, o subconsciente ai formidando
Da Natureza que parou, chorando,
No rudimentarismo do Desejo!
Às vezes, é verdade, em vez desse dualismo que temos examinado, e em vez do tom pessimista da generalidade dos poemas, o Poeta é puro lirismo, é pura espiritualidade, e é preciso também exemplificá-lo, ao que bem se presta o segundo dos “Sonetos” ao pai, estes maravilhosos versos com a dedicatória “A meu Pai morto”:
Madrugada de Treze de Janeiro.
Rezo, sonhando, o ofício da agonia.
Meu Pai nessa hora junto a mim morria
Sem um gemido, assim como um cordeiro!

E eu nem lhe ouvi o alento derradeiro!
Quando acordei, cuidei que ele dormia,
E disse à minha Mãe que me dizia:
“Acorda-o!” deixa-o, Mãe, dormir primeiro!

E saí para ver a Natureza!
Em tudo o mesmo abismo de beleza,
Nem uma névoa no estrelado véu...

Mas pareceu-me, entre as estrelas flóreas,
Como Elias, num carro azul de glórias,
Ver a alma de meu Pai subindo ao Céu!
À véspera da morte, segundo o depoimento de Órris Soares, vem-lhe “a derradeira cintilação” – após o breve périplo no pluralismo da matéria, o retorno à unidade, 
“O Último Número”:

Hora da minha morte. Hirta, ao meu lado,
A Idéia estertorava-se... No fundo
Do meu entendimento moribundo
Jazia o Último Número cansado.

Era de vê-lo, imóvel, resignado,
Tragicamente de si mesmo oriundo,
Fora da sucessão, estranho ao mundo,
Como um reflexo fúnebre do Incriado.

Bradei: – Que fazes ainda no meu crânio?
E o Último Número, atro e subterrâneo,
Parecia dizer-me: “É tarde, amigo!

Pois que a minha autogênita Grandeza
Nunca vibrou em tua língua presa,
Não te abandono mais! Morro contigo!”
Terminemos, nós, o nosso périplo com os quartetos finais de “Os Doentes”:

Contra a Arte, oh! Morte, em vão teu ódio exerces!
Mas, a meu ver, os sáxeos prédios tortos
Tinham aspectos de edifícios mortos,
Decompondo-se desde os alicerces!

A doença era geral, tudo a extenuar-se
Estava. O Espaço abstrato que não morre
Cansara... O ar que, em colônias fluidas, corre,
Parecia também desagregar-se!

Os pródromos de um tétano medonho
Repuxavam-me o rosto... Hirto de espanto,
Eu sentia nascer-me n’alma, entanto,
O começo magnífico de um sonho!

Entre as formas decrépitas do povo,
Já batiam por cima dos estragos
A sensação e os movimentos vagos
Da célula inicial de um Cosmos novo!

O letargo larvário da cidade
Crescia. Igual a um parto, numa furna,
Vinha da original treva noturna,
o vagido de uma outra Humanidade!

E eu, com os pés atolados no Nirvana,
Acompanhava, com um prazer secreto,
A gestação daquele grande feto,
Que vinha substituir a Espécie Humana!
Aos que só têm olhos para o pessimismo em nosso poeta, algum bem há de fazer esse augúrio de uma nova e melhor humanidade.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

O Specta-dor Augusto dos Anjos

Hoje à tarde, na Casa de Leitura Lya Maria Müller Botelho, a professora Francis Paulina Lopes da Silva, da Universidade Federal de Viçosa, abordou a poética de Augusto dos Anjos pelo olhar do "specta-dor, aquele que assiste às cenas da vida, captando em tudo a dor cósmica". 

Brevemente será publicado o resumo desta comunicação, bem como das demais atividades que compuseram as Homenagens pelo Centenário de Morte de Augusto dos Anjos.

ALLA recebe descendentes de Júlio Ferreira Caboclo

Por gentileza de Alexandre Moreira, coordenador da Casa de Leitura Lya Maria Müller Botelho, apresentamos fotografias de familiares de Julio Ferreira Caboclo que chegaram hoje a Leopoldina, para a final do 23º Concurso Nacional de Poesias Augusto dos Anjos.






Como foi muito bem expresso por Alexandre Moreira, 

"A ALLA recepcionou nesta tarde, na Casa De Leitura Lya Botelho, a Sra. Selma Ferreira Cabloco de Araújo Lima, filha de Esther Fialho (viúva do poeta paraibano Augusto dos Anjos) e de Júlio Ferreira Caboclo; O Sr. José Liberato Ferreira Caboclo (sobrinho de Julio Ferreira Caboclo, 2º marido de D. Esther Fialho), Sra. Maria Cristina de Araújo Lima Ramos e seu esposo Fernando Dias Ramos (ela filha de D. Selma e neta de Júlio Ferreira Caboclo).
D. Selma, que nasceu aqui em Leopoldina, de onde saiu aos 4 anos de idade, é pessoa de extrema simpatia e lucidez, e gravou um depoimento de grande importância para a nossa história local, falando da sua mãe e das lembranças que a mesma lhe contou do seu 1º marido: Augusto dos Anjos."

100 anos da morte de Augusto dos Anjos

"Matéria especial, exibida na quarta-feira, 12/11/2014, no Correio Debate (TV Correio), sobre a homenagem da Academia Paraibana de Letras (APL) ao centenário de morte de Augusto dos Anjos, com a inauguração de uma estátua de corpo inteiro do ilustre poeta. Na mesma matéria, o cantor e compositor Gustavo Magno, em entrevista ao repórter Saimon Cavalcanti, fala das adaptações musicais que fez de poemas de Augusto dos Anjos e de sua admiração pelo poeta. Gustavo Magno gravou "Versos íntimos", no CD "Divina virtude", lançado nacionalmente pela gravadora Atração Fonográfica.
A entrevista foi realizada no Memorial Augusto dos Anjos, na sede da APL – Rua Duque de Caxias, 25/37. Centro.
Augusto dos Anjos, o poeta do EU, nasceu em 1884, no engenho Pau D’Arco, no município paraibano de Sapé. Professor do Liceu (1908), viveu na Paraíba até 1910, quando se transferiu para o Rio de Janeiro, empenhado em publicar seu livro, editado em 1912. Deixou o Rio em 1914, quando foi nomeado diretor do Grupo Escolar Ribeiro Junqueira, em Leopoldina, vindo a falecer dia 12 de novembro de 1914."



Especial 100 Anos da Morte de Augusto dos Anjos

Mais uma sugestão preciosa da Casa de Leitura Lya Maria Müller Botelho, um especial do Programa Impressão, da Assembleia Legislativa da Paraíba, cuja primeira parte está disponível aqui.


Nesta primeira parte os entrevistados abordam a polêmica sobre a saída de Augusto dos Anjos da Paraíba e reconhecem que, em Leopoldina, Augusto dos Anjos foi bem recebido e sua memória permanece bem cuidada. De certa forma, ao falarem sobre a receptividade que o livro Eu teve na Paraíba, eles confirmam o que ouvimos de Luiz Gonzaga Rodrigues na semana passada, quando este jornalista paraibano visitou Leopoldina. Disse Gonzaga Rodrigues que Leopoldina reconheceu o valor da obra do poeta e o cultuou antes mesmo que os paraibanos o fizessem.

No programa foram entrevistados o jornalista João Costa, o professor de literatura João Trindade e o escritor Jairo Cezar.

Acesse a segunda parte neste endereço.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Meu avô Augusto dos Anjos

Programa Encantos de Versos, Marluci Ribeiro entrevista Ricardo dos Anjos, Rádio Senado, 7 de novembro de 2014.

1ª parte

2ª parte

14 de novembro: Concurso Nacional de Poesias Augusto dos Anjos

As homenagens oficiais da Prefeitura Municipal de Leopoldina, em conjunto com a Academia Leopoldinense de Letras e Artes, pelo Centenário de Morte de Augusto dos Anjos, serão encerradas nesta sexta-feira, dia 14 de novembro de 2014.

Às 14 horas, na Casa de Leitura Lya Maria Müller Botelho, serão realizadas Comunicações Acadêmicas sobre Augusto dos Anjos.

Às 19 horas acontecerá a final do Concurso Nacional de Poesias Augusto dos Anjos, com a premiação dos vencedores e encerramento a cargo da Banda TriO'clock. Em virtude das mudanças climáticas o evento foi transferido para o Auditório do Cefet, Rua José Peres 558.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Uma pausa para Augusto dos Anjos no centenário de sua morte


Por Aderaldo Luciano

Já era a terceira ou quarta vez que Augusto dos Anjos falava sobre o mesmo assunto com o Presidente João Machado. Augusto se sentia preso, ilhado na Paraíba, enquanto a vida literária se desdobrava ávida na capital do país, o Rio de Janeiro. Todos os amigos haviam partido, inclusive Órris Soares, a quem tanto se apegara. Tentava jogar a última carta no diálogo com o Presidente. Esperava lograr êxito e partir tranquilo, com um pouco de dinheiro e a esperança de encontrar Santos Neto, seu amigo e incentivador.
Por conta de arranjos políticos, sua família determinara-se a apoiar o nome de João Lopes Machado para presidente do estado, indicado que foi pelo chefe maior, o major Álvaro Machado, do Brejo de Areia, oligarca e mandatário. Como se diz hoje em dia: o Chefão. Aliás, sobre ele podemos dizer duas coisas: ao mesmo tempo em que criou A União, o jornal mais longevo do estado, fez vistas grossas quando a polícia incendiou e empastelou as oficinas e escritórios dos jornais O Combate (dos irmãos Oscar e Órris Soares) e O Comércio (de Arthur Achilles), alguns anos antes, em 1904, no mandato de José Peregrino de Araújo. Sob a mão de ferro do Chefe de Polícia Antônio Semeão dos Santos Leal. Mas voltemos ao caso de Augusto.
Muito bem, o poeta raquítico saúda o presidente e, pisando em ovos, puxa novamente aquela conversa. Estava ele como professor substituto no Liceu Paraibano, tinha como aluno um dos filhos do presidente, a família fechara questão em torno do nome do mandatário, o próprio presidente o havia convidado para abrir as celebrações da data da Abolição, no Theatro Santa Rosa. Era flagrante o clima de intimidade entre eles. Saliente-se que o poeta desposara Ester Fialho, filha de Agnelo Cândido Lins Fialho, também do Brejo de Areia, todos conterrâneos. Augusto pensara que estava tudo em casa.
E o que queria o poeta? Apenas que o presidente lhe concedesse uma licença com vencimentos, uma pequena garantia, para que lhe fosse possível aquela viagem ao Rio, onde pudesse apresentar seus poemas, encontrar os nomes da literatura de então, conseguir entrar para a história da formação da literatura brasileira e, quem sabe, ser nomeado para a melhor escola do país: o Colégio Pedro II. Não era um sonho impossível e acreditava mesmo que tudo pudesse transcorrer como no sonho, como no desejo.
O que ouviu de João Machado foi um peremptório NÃO! E mais: um RETIRE-SE! Segundo a cunhada Irene Fialho fora: "Ora, Dos Anjos, não me amole mais!". O suficiente para a ficha cair por dentro do cofre da compreensão e as tripas requererem uma urgente tomada de decisão. E foi assim que o Poeta Superior da Paraíba, entrou em casa mais pálido do que já era, trêmulo e desiludido, e disse para a esposa: "Vamos para o Rio. Nunca mais porei o pé na Paraíba!" Dito e feito.
Já no Rio, vivendo as agruras de sua decisão, morava em pensões e se revirava para dar aulas particulares aqui e ali, como diz Agripino Grieco: "revejo aquela singular figura, qual a vi em 1912, nas vizinhanças da Muda da Tijuca, onde o pobre Augusto ia, premido pela necessidade, ia dar lições a uma família abastada do bairro." Escreve para a mãe, relembrando o rompante de João Machado: "O procedimento do João Machado foi aqui muito censurado, sendo louvado com os panegíricos mais veementes meu ato de reação contra a diatribe do Joque."
Joque era o apelido de guerra do presidente. Mas a cartinha de Augusto não fica só nessa oração. Diz mais: "Todos os políticos dessa terra me tem prometido emprego. Não sei se o fazem por delicadeza convencional do momento, ou se movidos pelo intuito sincero de me prestarem reais benefícios." Ingênuo poeta. Inocente Augusto. Não entendia ainda que esse mundo da política provinciana é um eterno rio de malquerências. Nenhum deles, jamais, lhe conseguiria qualquer ocupação, qualquer emprego, qualquer trabalho.
A cartinha cita o nome dos políticos de então: "Tais indivíduo se chamam: Valfredo Leal, Simeão Leal, Seráfico da Nóbrega, Castro Pinto e outros da mesma espécie." Acredito que os mesmos sejam nossos conhecidos, nomes de ruas que o são. Mas, enfim, que é do poeta? Sofre, desterrado, entre seus conterrâneos. Sem dinheiro e vivendo dificultosamente, vê sua esposa perder o primeiro filho e sente agravarem-se seus problemas de saúde. José Oiticica descreve o seu estado como o de "penúria". O irmão Odilon salva-lhe a posteridade arcando com as despesas do "EU". E os seus, aqueles que tanto lhe prometeram? Desapareceram.
O resto da história todos vocês já conhecem. João Machado, Álvaro Machado, Valfredo Leal, Simeão Leal, Seráfico Nóbrega não passam de uma nota de pé de página da história e, para alguns nascidos na Paraíba, "nomes ilustres". Pois bem, o Poeta Maldito, o sofredor, não pôde ver o que aconteceu depois: sua poética revirando as tripas do mundo da crítica nacional, seus versos declamados na boca do povo, seu nome salvaguardando toda a posteridade, inclusive os poetas desinteressantíssimos de hoje e de amanhã. São 100 anos de morte de Augusto dos Anjos e mais um para o obscurantismo dos "ilustres"!

Augusto em Cord'Eu

 
"Depois de um dia inteiro de muitas homenagens ao poeta paraibano Augusto dos Anjos pela data do centenário de sua morte, o grupo teatral Seiva de Luz de Leopoldina-MG dá continuidade às celebrações com um espetáculo concebido especialmente para a ocasião.

AUGUSTO EM CORD'EU, espetáculo escrito e dirigido por Zezé Salles, faz uma abordagem do poeta e da sua obra de forma transversa porém dramaticamente impactante.

Criatividade na criação de figurinos e maquiagem, ótima direção de atores, interpretações marcantes, um texto inteligente e até mesmo audacioso na sua proposta, fugindo do lugar-comum de outras montagens, tudo faz com que o espetáculo funcione e cative a platéia.

Uma peça teatral que certamente entrará para o repertório do grupo e que merece ser encenada muitas outras vezes."

Publicação by Casa De Leitura Lya Botelho.

Filme Eu e os Anjos e grupo Amigos do Choro

Homenagens a Augusto dos Anjos no dia 13 de novembro de 2014
Amanhã, dia 13 de novembro de 2014, às 19 horas, no Museu Espaço dos Anjos, será exibido o documentário Eu e os Anjos, de José Sette, seguido de apresentação musical do grupo Amigos do Choro.

terça-feira, 11 de novembro de 2014



Nesta sexta-feira, dia 14 de novembro de 2014, a Casa de Leitura Lya Maria Müller Botelho acolherá duas importantes comunicações sobre Augusto dos Anjos. 

Na primeira delas a professora Francis Paulina Lopes da Silva, da Universidade Federal de Viçosa, "propõe-se revisitar a poética de Augusto dos Anjos, enfatizando o olhar do specta-dor, aquele que assiste às cenas da vida, captando em tudo a dor cósmica, reflexo do destino trágico do homem, na visão do eu poético, em constante estado agônico".

Em seguida a professora Thalita de Cássia Reis Theodoro, recém chegada de sua especialização na Universidade de Limerick, na Irlanda, relembrará alguns aspectos da criação de seu primeiro solo em dança contemporânea. Segundo ela, o objetivo é mostrar "como a poesia de Augusto dos Anjos foi utilizada de forma singular e criativa para a criação do solo Apaga-se a luz de mais um dia”.

A Casa de Leitura está localizada na Rua José Peres número 4, no centro de Leopoldina, e o evento terá início às 14 horas.

Placa, Selo, Declamação e Teatro


Amanhã, 12 de novembro de 2014, data em que se completam 100 anos da morte de Augusto dos Anjos, às 9 horas, no Museu Espaço dos Anjos, serão lançados o Selo e a Placa comemorativos.

Às 15 horas haverá declamação de poesia pelos alunos do Conhecer, no túmulo de Augusto dos Anjos.

Às 19:30, no auditório do CEFET, será a vez do Grupo de Teatro Seiva de Luz homenagear o poeta com "Augusto em Cord'Eu".

Hoje: Quadrinhos e Augusto

Hoje, às 19 horas, Mesa Redonda com Natania Nogueira e Jairo Cézar, mediada por Gláucia Costa.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Incentivo à Leitura, Quadrinhos e Augusto dos Anjos

Centenário de Morte de Augusto dos Anjos
Dando prosseguimento às homenagens pelo centenário de morte de Augusto dos Anjos, acontecerá amanhã, dia 11 de novembro, na escola CAIC, às 15 horas, uma apresentação do Projeto PILE: Programa de Incentivo à Leitura na Escola, pelo paraibano Jairo Cézar.
O CAIC está localizado na Rua Sebastião Lacerda s/n - Bairro Eldorado.

Às 19 horas, no Museu Espaço dos Anjos, Ewerton Santos, também conterrâneo de Augusto dos Anjos, trará a mensagem do Prefeito de Sapé, terra natal do poeta.

Em seguida, mesa redonda "Quadrinhos e Augusto" com Jairo Cézar, Natania Nogueira e Guilherme Garcia.

Encerrando a programação, música com o Grupo de Violão do Conservatório Estadual de Música Lia Salgado.

Veja a programação completa das homenagens pelo Centenário de Mortte de Augustos dos Anjos neste endereço.

domingo, 9 de novembro de 2014

Augusto dos Anjos em Quadrinhos

Centenário de Morte de Augusto dos Anjos
Nesta segunda-feira, dia 10 de novembro de 2014, será lançada a obra de Jairo Cézar, conterrâneo de Augusto dos Anjos. 
O evento acontecerá na Casa de Leitura Lya Maria Müller Botelho, às 19 horas.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Lançamento do Calendário Comemorativo


Homenagens a Augusto dos Anjos no dia 7 de novembro.



Entre 14 e 16 horas de amanhã, dia 7 de novembro, haverá visita guiada no Museu Espaço dos Anjos. Mais tarde, às 19 horas, será a vez dos acadêmicos José Luiz Machado Rodrigues e Nilza Cantoni falarem sobre Augusto dos Anjos visto por alguns biógrafos e pensadores. Em seguida será feito o lançamento do Calendário Comemorativo Augusto dos Anjos 2015.
Haverá, também, apresetação do Coral São Gregório Magno.


quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Finalistas do 23º Concurso Nacional de Poesias Augusto dos Anjos

Após o cumprimento do que determina o item 6 do Edital do 23º Concurso Nacional de Poesias Augusto dos Anjos, informamos os títulos, das poesias classificadas para a final, que será realizada no dia 14 de novembro de 2014, às 19 horas, no Museu Espaço dos Anjos, à Rua Barão de Cotegipe nr. 386, em Leopoldina, MG.

A Comissão Organizadora agradece a todos os inscritos que contribuíram para o sucesso da edição 2014 e espera que no próximo ano venham novamente abrilhantar o evento, acompanhados de outros poetas.

O trabalho da Comissão Julgadora foi árduo, em virtude do elevado número de concorrentes. Após a análise dos 429 poemas concorrentes, foram escolhidos os seguintes dez finalistas, em ordem alfabética:


· Anjosiana (Pseudônimo: Ilmo Sênior)
· Avenidas de mim (Pseudônimo: Cacá Messias)
· Confidência (Pseudônimo: Lucidora Pessoa)
· Do Álbum de Família (Pseudônimo: Canto das Gerais)
· História de quem fez história ou trajetória de uma história (Pseudônimo: Vitória)
· Infância (Pseudônimo: Passiflora Inamoratta)
· Luxúrias lascivas lancinantes (Pseudônimo: Aratã de Lótus)
· Soneto temporal (Pseudônimo: K. Rilhão)
· Um poema livre (Pseudônimo: Safira Bellkovs)
· Versos e ondas (Pseudônimo: Rafique Paladino)

Logo após a decisão e divulgação pelo júri das três melhores, bem como da melhor interpretação, haverá a cerimônia de premiação, quando serão conhecidos os nomes dos três autores premiados.

Missa em Memória de Augusto dos Anjos


Amanhã, dia 6 de novembro de 2014, às 19 horas, na Capela do Asilo Santo Antônio, o Monsenhor Chamel realizará Missa em Latim pela memória de Augusto dos Anjos.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Casa de Leitura expõe Elias Abrahim Neto em Rememória 80

Exposição Rememória 80, de Elias Abrahim Neto

Por Alexandre Moreira, Coordenador da Casa de Leitura Lya Botelho


A Casa de Leitura Lya Botelho, dentro do projeto “Leopoldina: Memória e Patrimônio” vem pelo segundo ano consecutivo propor uma reflexão sobre os bens culturais, materiais e imateriais, que representam as estruturas onde o núcleo social constrói sua história.

A exposição "REMEMÓRIA 80", que apresenta parte do acervo de ELIAS ABRAHIM NETO e que a Casa de Leitura Lya Botelho estará apresentando entre 3 de novembro e 20 de dezembro do corrente ano, acontece concomitantemente à mostra de quadros do saudoso LUIZ RAFAEL DOMINGUES ROSA, no espaço Biblioteca da Casa de Leitura Lya Botelho. Ambas estarão abertas no horário de funcionamento da Casa de Leitura Lya Botelho: segunda a sexta, das 8:00 às 11:30h e das 13:00 às 17:00h. Aos sábados, das 8:00h às 11:30h. Agendamentos para grupos de estudantes, escolas, clubes de serviço devem ser feitos enviando e-mail para: casadeleitura@gmail.com

Elias e o Almanack do Arrebol


O acervo do leopoldinense Elias Abrahim Neto, cuja parcela referente aos anos 80 do século passado é o motivo desta exposição, constitui um exemplo de como o cidadão comprometido com seu tempo e lugar pode dar guarda à história local, colecionando-a através do olhar atento e a significativa seleção e registro dos fatos.

Em todo o mundo a década de 80 foi de grandes mudanças, tanto no comportamento das pessoas, seja pelo avanço tecnológico ocorrido ou pelas revoluções e crises políticas. As Artes em geral, como sempre, muito bem refletiram esses tempos atribulados apropriando-se da crescente evolução tecnológica e sua popularização (fotografia e vídeo digital, internet, computadores domésticos, TV’s a cabo, etc) para diagnosticá-los e registrá-los.

Elias Abrahim Neto foi um desses cidadãos que se apropriaram dos benefícios das novas tecnologias e equipamentos disponíveis para registrar e comentar o seu tempo. A facilidade oferecida pela câmera fotográfica compacta, mais leve e o acesso a novas máquinas impressoras, inclusive às potentes e sofisticadas fotocopiadoras, possibilitaram que o jovem Elias pudesse expressar-se mais e melhor naquilo que muito lhe agradava: o registro de tudo o que possa constituir o patrimônio de sua cidade natal.

Nasceu então o ALMANACK DO ARREBOL, de formato inspirado nos existentes almanaques que costumeiramente eram distribuídos em farmácias e outros prestadores de serviços. Em muito lhe agradava a liberdade de, num mesmo material, poder abordar a arte e a cultura ao entretenimento. De pequeno formato, a revista, dependendo de patrocinadores, circulava com alguma regularidade e existiu até a sua 9ª edição trazendo entrevistas com pessoas de destaque na cidade, registrando fatos e ocasiões de importância, dando espaço para que escritores, memorialistas, desenhistas, gravadores e fotógrafos pudessem se expressar e, à maneira dos demais almanaques circulantes, explorando o lazer através do humor, tirinhas e palavras cruzadas.

A importância do ALMANACK DO ARREBOL é justificada pelo registro de iniciativa independente de pessoas e eventos que se mostravam importantes nos aspectos socioeconômicos e culturais daquela década, em Leopoldina, em plena Zona da Mata mineira. Sem competir com os jornais existentes na época, o ALMANACK pode ser visto como um precursor dos suplementos culturais de hoje.

A exposição que ora apresentamos pretende levar o visitante a uma viagem àquela década através do olhar de Elias Abrahim Neto. São centenas de fotos dos seus arquivos pessoais, registros realizados por ele sem pretensões artísticas outras do que a de perpetuar uma cidade que estava começando rapidamente a se transformar, perdendoou substituindo algumas das suas características, adquirindo nova silhueta e desenvolvendo novas maneiras, costumes e necessidades. Ruas, praças, construções, pessoas, festas populares, eventos políticos, personagens locais, praticamente tudo e todos ocuparam a atenção de Elias. Basta, entretanto, um passar de olhos nessas fotografias e nos textos e imagens de qualquer dos números do ALMANACK DO ARREBOL para percebermos que não há a fria e pretensa neutralidade jornalística nos elementos expostos. Ao contrário, o autor se dispõe comentar, pelo recorte do seu olhar, aqueles tempos, sua própria terra e seus habitantes, num eloquente registro crítico e sentimental.

Graças ao patrocínio e apoio da ENERGISA, da Prefeitura Municipal de Leopoldina, da Secretaria de Educação e da Secretaria de Cultura, Esportes, Lazer e Turismo, bem como da FOJB-Fundação Ormeo Junqueira Botelho, a Casa de Leitura Lya Botelho tem a grande satisfação de apresentar o Acervo Elias Abrahim Neto na certeza que o mesmo possa ser inspirador para o melhor conhecimento da História e valorização da Cultura local. Esperamos que o visitante reconheça, assimile e desenvolva a importância da preservação e catalogação dos bens culturais da cidade para o enriquecimento do registro da História local. Os futuros cidadãos leopoldinenses agradecerão essa iniciativa.

Leopoldina e Luiz Raphael: um caso de amor


Professor, artista plástico, conservador, pesquisador, ativista cultural, memorialista são alguns dos qualificativos que Luiz Raphael Domingues Rosa soube tão bem assimilar e pelos quais é lembrado e reverenciado. Fiel representante dos chamados “homens Renascentistas”, indivíduos de múltiplos e admiráveis talentos, deixou um legado de inestimável valor do qual, hoje, a Casa de Leitura Lya Botelho hospeda uma parcela na exposição “LEOPOLDINA E LUIZ RAPHAEL: UM CASO DE AMOR”.

Se a sua luta preservacionista é por todos conhecida, na árdua labuta em manter e impedir que desaparecessem os traços da permanência do poeta paraibano Augusto dos Anjos na cidade, é em sua expressão artística que vamos encontrar o desenhista, o pintor, o professor mas, sobretudo, o atento memorialista. Se me permitirem fazer uma analogia, poderia dizer que o poeta e músico leopoldinense Antonio Sérgio Lima Freire (1945-2008), o Serginho do Rock e Luiz Raphael, o “Fael”, contemporâneos que foram, compartilharam uma singular característica: praticamente toda a sua produção artística é centrada em sua terra, na “pequena” Leopoldina, em seus tipos humanos e sua geografia. Cada um, à sua maneira, preservou “instantâneos” da cidade e seus arredores exaltando suas formas, seus aspectos mais corriqueiros, a sua singela beleza, preservando-a para sempre, inalterada.

Como artista plástico, autor de diversas aquarelas, desenhos telas a óleo e acrílica, Luiz Raphael associa o olhar amoroso do cidadão apaixonado pela sua terra e seu povo com um outro, mais preciso, menos idealizado, o do memorialista comprometido no registro da verdade, do real. Observa-se em muitas de suas obras a precisão quase fotográfica no desenho e colorido dos elementos arquitetônicos existentes associados a um entorno onde o ser humano e demais elementos são “interpretados” mais livremente pelo artista.

Herdeiro de uma longa tradição de pintores documentaristas que incluem nomes como Debret, Rugendas, Eckhout, só para citar os mais conhecidos, que tiveram como missão registrar em todos os seus detalhes um Brasil recém-descoberto, Luiz Raphael olha para a sua cidade com a mesma admiração de quem a vê pela primeira vez. Os “anjinhos” na festa da Igreja do Rosário, a marcante presença do Morro do Cruzeiro, as palmeiras imperiais da Praça Félix Martins, a velha sorveteria, em tudo há poesia e verdade. A realidade coexiste inseparável do olhar amoroso do artista.

Esta exposição, que acontece durante a passagem do centenário da morte do poeta Augusto dos Anjos, de quem Luiz Raphael definia-se como “mordomo”, reúne obras de diversas épocas, pertencentes a coleções particulares, inclusive da própria família do artista e que foram gentilmente cedidas graças ao valioso empenho do pesquisador leopoldinense Elias Abrahim Neto.

O visitante irá, certamente, identificar lugares e situações ao visitar a mostra, aceitando o convite do artista para “re-ler” sua cidade, renovando seu olhar e estima pelas suas belezas naturais e outras edificadas através de gerações. Nesse resgate de valores, a importância da conservação patrimonial e o seu registro através de todas as manifestações artísticas e equipamentos tecnológicos se faz evidente e necessária.

Não há futuro onde o passado é negado, omitido, abandonado. Provavelmente não teríamos o Museu Espaço dos Anjos na própria casa onde viveu e morreu o poeta, não fosse pelo empenho abnegado de Luiz Raphael Domingues Rosa. Não estaríamos hoje apreciando sua obra, não fosse o cuidado dos proprietários desses quadros expostos em conservá-los, da família Domingues Rosa.


Finalistas do 23º Concurso Nacional de Poesias Augusto dos Anjos

23º Concurso Nacional de Poesias Augusto dos Anjos

Conforme determina o item 6.1 do Edital, a Comissão Julgadora selecionou os 10 (dez) trabalhos finalistas. E de acordo com o item 6.2 do mesmo Edital, todos os candidatos finalistas foram comunicados por e-mail.

Convidamos a todos para assistirem ao julgamento final que será realizado no próximo dia 14 de novembro de 2014, no Museu Espaço dos Anjos, localizado à Rua Barão de Cotegipe nr. 386, Centro, Leopoldina, MG.

A cerimônia terá início às 19 horas. Após a declamação os jurados decidirão a classificação final com premiação das três primeiras colocadas e do melhor intérprete. Em seguida haverá apresentação da banda musical TriO'clock

Quadrinhos e Augusto


Jairo Cézar, Natania Nogueira e Guilherme Garcia formarão a mesa de debates do dia 11 de novembro de 2014, no Museu Espaço dos Anjos, às 19 horas. O primeiro, conterrâneo de Augusto dos Anjos, foi convidado pela Casa de Leitura Lya Maria Müller Botelho para vir a Leopoldina lançar seu livro Augusto dos Anjos em Quadrinhos e apresentar o PILE – Programa de Incentivo à Leitura na Escola. Sendo assim, na mesa redonda ele abordará seu livro e o poeta.


Em consequência, Natania Nogueira programou sua participação em torno do tema As Biografias em Quadrinhos. Segundo ela,

"Desde que começaram a ser reconhecidos como objetos de ensino e posteriormente de estudo, os quadrinhos têm contribuído para a preservação da memória ao tratar de temas de relevância histórica. Eles são utilizados, também, para levar ao grande público as biografias de personagens que se destacaram na história nacional e mundial. E esse será o tema central da nossa apresentação: a importância das histórias em quadrinhos para aproximar o público leitor em potencial das biografias, este gênero literário que por muito tempo sofreu críticas da historiografia mas que hoje apresenta-se como um instrumento legítimo tanto para o estudo quanto para o ensino da história".

Violão Enluarado

No próximo dia 11 de novembro, dentro da programação das Homenagens pelo Centenário de Morte de Augusto dos Anjos, o grupo Violão Enluarado se apresentará no Museu Espaço dos Anjos, logo após a Mesa Redonda Quadrinhos e Augusto que será aberta às 19 horas.

Segundo uma das participantes, 
"O Grupo VIOLÃO ENLUARADO fundado em 2010 na cidade de Leopoldina – MG , é o resultado da parceria dos professores da área de Violão do Conservatório Estadual de Música “Lia Salgado” que desejavam resgatar o costume dos mineiros de cantar as belas canções que abrilhantavam as noites de serestas.

É formado por violonistas e cantoras que tem como foco resgatar um repertório de música antiga, levando-a aos lares e a vários espaços culturais de nossa cidade e região, proporcionando momentos de nostalgia e alegria a todos aqueles que ouvem sua interpretação.

Integrantes do Grupo Violão Enluarado:
Adriana Ribeiro

Cristiane Gonçalves
Emmanuelle Bedim

Nathália Basílio

Viviane Bartole"

A Academia Leopoldinense de Letras e Artes convida a todos para assistirem a apresentação.