Cadeira nº 40: Hamilton de Vasconcelos

 


Senhoras e senhores, ilustres membros desta Academia, amigos e presentes,

É com grande honra e profunda emoção que me apresento diante de todos nesta noite memorável, para assumir a imortalidade que me é confiada, com humildade e gratidão. Hoje, não falo apenas como um novo membro da nossa venerada Academia de Letras de Leopoldina, mas como um eco de toda uma história que se constrói através das palavras, da arte e da cultura que aqui, juntos, cultivamos e preservamos.

Ao ser empossado, tenho a honra de ser patrocinado por uma figura de grande relevância e sensibilidade: o fotógrafo Hamilton Vasconcelos, cuja lente capturou, por tantas vezes, a essência de nossa cidade, de nossos rostos e paisagens.

A Academia de Letras de Leopoldina, com sua rica tradição, é um espaço de encontro da inteligência, da arte e do saber. Ser acolhido por este seleto grupo de mestres da palavra, que sempre desempenharam papel crucial na preservação e no florescimento da nossa cultura, é uma responsabilidade que abraço com grande seriedade e amor pela arte literária.

Agradeço a todos que tornaram este momento possível e reitero o meu compromisso de contribuir com o legado da nossa Academia, somando, com respeito e dedicação, à grande obra que temos o privilégio de construir aqui, em Leopoldina.

REFLEXÕES SOBRE HAMILTON VANCONCELOS

Estamos aqui hoje para compartilhar com vocês a vida e a obra de uma figura extraordinária que marcou a história de Leopoldina e da região na fotografia. [um homem que não só moldou o modo como vemos a arte fotográfica, mas também influenciou profundamente a nossa compreensão da cultura e da vida cotidiana.] Estou falando de Hamilton Vasconcelos, o renomado fotógrafo leopoldinense nascido no distrito de Piacatuba, em 26 de janeiro de 1902, segundo dos cinco filhos de Francisco Alberto Lopes de Vasconcelos e Ana Francisca Nunes.

Hamilton Vasconcelos nasceu em 26 de janeiro de 1902, na pequena e pitoresca Piacatuba, um distrito de Leopoldina, Minas Gerais. [Desde jovem, ele demonstrou um olhar aguçado para capturar a essência do cotidiano e da paisagem ao seu redor.] Era autodidata e buscava sempre se aprimorar. Com pouco mais de vinte anos, em 1925, Hamilton já estava profundamente envolvido na fotografia, uma paixão que ele cultivou ao longo de toda a sua vida. Seu talento para a fotografia começou a florescer ainda na adolescência, [quando ele começou a explorar e documentar a vida rural e as paisagens bucólicas de sua terra natal. Nessa época, já exercia a profissão, tendo realizado trabalhos não só em Piacatuba como na vizinha Colônia Agrícola Major Vieira, município de Cataguases.

Um dos feitos mais notáveis de Hamilton, segundo seu filho Joaquim Vasconcelos em depoimento a Nilsa Cantoni e Luja Machado foi o desenvolvimento de uma técnica impressionante para retocar negativos, do qual tirava todos os defeitos, como se fosse um Photoshop hoje. [Tinha grande capacidade de capturar a essência da vida interiorana brasileira. Suas fotografias não eram apenas belas imagens; eram verdadeiros relatos visuais das tradições, dos costumes e das emoções das pessoas que ele encontrava. Ele possuía uma habilidade única de se conectar com seus sujeitos, o que lhe permitia revelar a profundidade e a autenticidade de suas histórias.]

Em 1941 junto a sua esposa Arlete Barbosa e filhos, mudou-se para Leopoldina em busca de espaço melhor e mais adequado para instalar o seu laboratório. Além de sua contribuição artística, Hamilton também deixou um legado pessoal através de seu filho, Joaquim Barbosa Vasconcelos, que compartilhou memórias valiosas sobre o pai e ajudou a preservar sua obra. Joaquim destacou que, na época, havia apenas dois fotógrafos em

Leopoldina, mas a qualidade do trabalho de Hamilton o tornou o mais procurado.

Hamilton [não se limitou a documentar o cotidiano rural. Ele também foi um pioneiro em várias técnicas fotográficas inovadoras. Seu trabalho em preto e branco, por exemplo, é celebrado pela forma como ele utilizava luz e sombra para criar composições dramáticas e cheias de nuances. Além disso, ele foi um dos primeiros a explorar a fotografia de longa exposição no Brasil, capturando imagens que ainda hoje são referências para fotógrafos em todo o mundo.]

A importância de Hamilton Vasconcelos na fotografia regional é inestimável. Ele [não só elevou a prática fotográfica a um novo nível artístico, como também desempenhou um papel crucial na preservação da memória cultural do interior do Brasil.] Suas imagens são mais do que simples fotografias; são registros visuais de um verdadeiro tesouro, são documentos históricos que nos permitem entender e apreciar a riqueza da nossa herança cultural.

Mas, infelizmente, durante a segunda guerra mundial interrompeu sua função de fotógrafo pois encontrou dificuldade de obter todo o material fotográfico que era importado da Alemanha. Exerceu a profissão até 1962. Faleceu em 20 de agosto de 1964, em Leopoldina, onde está sepultado.

Hoje, ao olharmos para o trabalho de Hamilton, somos lembrados da importância de ver o mundo com curiosidade e empatia. Suas fotos nos convidam a desacelerar, a apreciar os pequenos momentos e a encontrar beleza nas coisas simples da vida.

Hamilton Vasconcelos é um exemplo brilhante de como a dedicação e a paixão pela fotografia podem capturar a alma de uma comunidade e preservá-la para a posteridade. Seu trabalho continua a inspirar fotógrafos, historiadores e todos aqueles que valorizam a preservação da memória cultural.

Como um apaixonado pela fotografia, tenho o imenso prazer e sinto-me honrado em tê-lo como meu patrono e poder transmitir sua incrível jornada e a importância do legado deste mestre da fotografia.

Muito obrigado pela atenção de todos!


Resumo biográfico publicado na Revista da ALLA 2024

Hamilton Vasconcelos foi um fotógrafo leopoldinense, nascido no distrito de Piacatuba, em 26/01/1902. Era filho de Francisco Alberto Lopes de Vasconcelos e Ana Francisca Nunes. Sabe-se que seu pai foi tabelião em Piacatuba/MG e era filho de Guilherme Alberto de Vasconcelos e Engracia Adelaide Lopes.

Em 1925, Hamilton casou-se com Arlete Barbosa, filha de Eduardo Pires Barbosa e Francisca Barbosa de Moraes. Tiveram dois filhos: Haroldo e Joaquim Barbosa Vasconcelos. Nesta época, nosso fotógrafo já exercia, com zelo, sua profissão.

       É importante lembrar que as primeiras imagens fotográficas no país, datadas de 1832, foram tomadas pelo francês Antoine Hércules Florence, considerado, por isso, o pioneiro da fotografia no Brasil. Aliás, esse pioneirismo do país em fotografia deve-se, principalmente, ao imperador D. Pedro II, um grande apreciador da arte desde jovem, que, em 1840, adquiriu em Paris um daguerreótipo e com ele fez muitas imagens. Outros fotógrafos ficaram famosos entre nós, dentre os quais merece destaque Marc Ferrez. Ferrez participou de uma expedição científica da Comissão Geológica do Império do Brasil, quando fotografou, pela primeira vez, em plena selva, os índios botocudos (1875). Sua obra se destacou pelo registro da natureza do país e da transformação radical da paisagem urbana do Rio de Janeiro/RJ no início do século XX.

Nessa época, nascia Hamilton Vasconcelos, cuja trajetória na arte fotográfica não ficou restrita ao município de Leopoldina/MG, tendo trabalhado também em municípios vizinhos. Segundo informações de seu filho Joaquim Barbosa Vasconcelos, Hamilton “foi um autodidata, interessando-se e aprimorando cada vez mais a arte que abraçou. Entre seus clientes estavam muitos italianos”.

Joaquim recorda que, na época, “em Leopoldina havia apenas dois fotógrafos, mas meu pai, pela qualidade de seu trabalho, era sem dúvida o mais requisitado. Até 1962, ele exerceu sua profissão, sendo interrompido apenas durante a segunda guerra mundial, porque todo o material fotográfico era importado da Alemanha. Na maioria de suas fotos ele assinava ‘Foto Hamilton’. Desenvolveu uma técnica impressionante para retocar os negativos, do qual tirava todos os defeitos, como se fosse um Photoshop hoje”.

É ainda do filho Joaquim a informação de que a família teria se transferido para Leopoldina/MG, em 1941, para que o fotógrafo pudesse dispor de um espaço melhor e mais adequado para instalar o seu laboratório.

Hamilton Vasconcelos teve grande importância e valor na sua cidade natal e na região. Entre as imagens que nos legou encontram-se as que enfeitam esta página.

Hamilton faleceu no dia 20/08/1964, em Leopoldina/MG, onde foi sepultado.

 Foto em preto e branco de torre de prédio

Descrição gerada automaticamente

Foto em preto e branco de grupo de pessoas lado a lado

Descrição gerada automaticamente

 

 




 

 

 


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