terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Poesia vencedora do XXV Concurso de Poesias Augusto dos Anjos


O ASSOALHO DO VELHO CASARÃO

Autor: Matusalém Dias de Moura (Vitória/ES)
Pseudônimo: Antônio Inconformado
Intérprete: Josué Oliveira

As tábuas largas do assoalho do velho casarão
que meu bisavô construiu,
meu avô herdou
e hoje são ruínas que meu pai não quis,
guardam, silenciosas,
os passos lentos de meu avô paterno
a arrastar cansados chinelos pela casa afora,
já tarde da noite,
à procura da quartinha d’àgua
para matar a sede que o atacava e aplacar a tosse pigarrenta
que, havia anos, o acompanhava.

Aquelas velhas tábuas de madeira de lei
guardam ruídos de vassouras varrendo restos de terra e ciscos,
sons de botinas pisando, compassadamente,
uma vida inteira de fazendeiro;
guardam marcas de pés descalços
a se arrastarem, em valsa, no último baile de casamento.

Naquelas tábuas, estão guardadas as histórias
de vida e morte de meus antepassados,
lágrimas caídas e dores que não me foram contadas.
Guardam também os sinais dos joelhos de minha vó em tardes
                                               de ladainhas
e fé.


Ah!... Quantos silêncios guardam aquelas tábuas!...

Leopoldina, MG, 11 de novembro de 2016

Nenhum comentário:

Postar um comentário