segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

2º lugar em interpretação na final do XXV Concurso de Poesias Augusto dos Anjos

Apresentação no dia 11 de novembro de 2016, no Museu Espaço dos Anjos, em Leopoldina, MG

2º lugar – Intérprete

PATÉTICO, SUBLIME POETA

Autora: Karla Celene Campos (Montes Claros/MG)
Pseudônimo: Ângela
Intérprete: Willens Douglas

Lâmina. Espinho. Pedra.
Quem pode definir um homem?
Qual é a definição de um poeta?

Anulação. Aniquilamento. Decomposição.
Quanto tempo dura um homem?
Qual a duração de um poeta?

Pau D' Arco. Rio de Janeiro. Leopoldina.
Quem pode limitar espaços,
Se a obra rompe cenários,
Se a obra jamais termina?

Simbolista. Expressionista.
Pré-modernista. Parnasiano.
Em que período se insere um artista
Nitidamente contemporâneo?

Ceticismo. Abismos. Ascos.
Quem não vivencia
A antítese da utopia
Nesta terra de homens putrefatos?

Atualíssima é a angústia, sublime Poeta,
Na podridão dos dias que são os nossos,
Na falta de sentido de todos os dias,
Na distopia pós-moderna.

Sua agressão é nossa arma
Poética,
Patético Poeta,
Patrono de outros esdrúxulos que vieram
E que insanos escarram nas repugnâncias
E se aliviam
No delírio febril da poesia...

Vês? Ninguém considerou teu enterro
O fim da última quimera
Mais do que elementos químicos brotaram
Do teu não definitivo sono.
Permaneces.

A lâmina que fere é a mesma que molda.
A pedra que apedreja é a mesma que constrói.
O espinho que espeta é o que nos faz espertos.

Vês? Ninguém considerou teu enterro
O fim da última quimera.
Poesia engendra fruto,
Augusto.

Patético.
Sublime.
Esdrúxulo.
Poeta.

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