sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Rememorando o evento do dia 17 de outubro de 2014


No dia 17 de outubro a ALLA recebeu um grupo de poetas de Juiz de Fora, dando início às Homenagens pelo centenário de morte de Augusto dos Anjos com uma visita ao túmulo do poeta. Em seguida, uma visita à Praça Dom Helvécio, onde os visitantes puderam admirar a majestosa construção da Catedral de São Sebastião e seguimos para a Casa de Leitura Lya Maria Müller Botelho, sendo recebidos pelo coordenar Alexandre Moreira.


Mais tarde os escritores de Juiz de Fora fizeram uma visita guiada ao Museu Espaço dos Anjos e, no Anfiteatro Luiz Raphael Domingues Rosa, aconteceu a palestra de Daura Rocha e o Sarau, aberto com palavras do presidente da Academia Leopoldinense de Letras e Artes. 


Trechos da fala do Dr. Ronaldo Alvim Barbosa.
Farei uma homenagem aos poetas e comentários para os não poetas... Como eu. Cecília Meireles escreveu:
 “Eu canto porque o instante existe
 e a minha vida está completa.
 Não sou alegre nem sou triste:
 sou poeta”.
Em meio à nossa rotina fatigada, que tempo temos reservado para o canto dos poetas? Quando foi a última vez que cantamos por sentir o instante presente e a nossa vida completa? Alguma vez conseguimos superar a dualidade da alegria e da tristeza, e ver o mundo com as lentes da poesia? O que sabemos sobre o olhar generoso dos poetas?
Cecília Meireles tinha 63 anos quando nos deixou, no ano de 1964. Passados 50 anos, onde estará agora nossa querida poeta?
[...]
Manoel Bandeira nos presenteou:
“Vou-me embora pra Pasárgada
 Lá sou amigo do rei
 Lá tenho a mulher que eu quero
 na cama que escolherei”.
O querido poeta abordou em seus poemas temas que lhes eram caros. A família, a morte, a infância em Recife, os indivíduos que compõem as camadas mais baixas da sociedade, os excluídos. Deixou uma poesia pessoal, atenta aos valores universais, capaz de mesclar melancolia e nostalgia com ironia e humor. Ele soube usar a força do sentimento e a tensão do espírito, a reflexão metafísica sobre a vida e a morte, evocadas pela combinação de palavras.
O mais lírico dos nossos poetas, faleceu no dia 13 de outubro de 1968, aos 82 anos. Passados quase 50 anos, onde estará agora o nosso querido poeta?
[...]
Para nós, os não poetas.
Precisamos refletir sobre a fragilidade e a efemeridade desta jornada terrena. É preciso ter ouvidos para os versos de Cecília, Bandeira e todos os queridos poetas, incluindo os aqui presentes. Precisamos ter olhos para as nuvens, as flores, e o sorriso das crianças. Permanecermos despertos, vivendo em plenitude o aqui e agora. Sem encanto e poesia, a vida, refém de relógios e calendários, não passa de uma luta insana. Constante atenção nos é exigida para que possamos alcançar a nossa Pasárgada, a nossa Bem-aventurança. Estender a mão, avançar com um coração aberto, procurar deixar o mundo um pouco mais belo a cada dia. Longa, árdua, e por vezes solitária é a caminhada rumo à Bem-aventurança. No entanto, é a única trilha que vale a pena ser percorrida.


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