O rapaz que na mocidade lutara muito vendendo pão pelas ruas para sustentar sua velha mãe viúva e seus irmãos menores, com inteligência, força de vontade e perseverança, chegou a ser professor, ator, escritor e pintor.
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Nosso conhecimento data da festa de comemoração do centenário de Leopoldina. Tornamos-nos amigos e companheiros, dado ao nosso temperamento artístico. Estreamos no animado e concorrido baile do Clube Leopoldina, onde comparecemos em trajes a rigor, usados na época. Eu, o Barão de São Mateus, o Funchal, o Marques de Caparaó. Desde então, nos tornamos os maiores foliões da cidade durante uns 43 anos. Fizemos diversos números, motivados principalmente por acontecimentos da época. Preferíamos o carnaval de rua, levando alegria ao povo. Fantasiados, visitávamos o hospital, o asilo de velhos, sempre bem recebidos pelas Irmãs e confortando os enfermos. Os números eram acompanhados de nossos comentários e diálogos com o povo. Eis os nomes de alguns números: Concurso de Robustez Infantil, O Português e a Crioula, Rumo a Brasília, Dom Quixote e Sancho Pança, Casamento na TV, Velhice Transviada, Transplante de Coração, Guerra ao Mosquito (foto), Lampião e Maria Bonita, Buzina do Chacrinha, Jacinto Paixão e sua Esposa Imaculada. Participávamos, também, das Festas Juninas. Tomaram parte em alguns desses números o Ceci Berbari e o Tufi. Em nossa casa tem um quarto reservado para o Funchal, com tabuleta na porta “Apartamento do Funchal” e nele, nos fantasiamos no carnaval.
1889 – 1979
Manoel
Funchal Garcia[1] ou, simplesmente, Funchal
Garcia, nasceu em Leopoldina/MG no dia 03/02/1889 e faleceu no Rio de Janeiro/RJ
em 30/06/1979. Filho dos portugueses Alfredo Garcia Ribeiro e Mariana dos
Prazeres Funchal.
Fez
seus primeiros estudos em sua terra natal. Seguiu depois sua carreira de
estudante na cidade do Rio Grande/RS e no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de
Janeiro/RJ. Estudou desenho e pintura com Maurício Jobim, Honório da Cunha Melo
e César Formenti.
Foi
professor, pintor, paisagista, jornalista e escritor.
Trabalhou
em Carangola/MG, cidade onde tem sua profissão e nome homenageados em uma rua.
Em 1915, era professor do Ginásio Carangolense e, em 1917, lecionava na Escola
Normal Arthur Bernardes da mesma cidade, ao lado, dentre outros, do Prof.
Joaquim de Souza Guedes Cardoso Menezes Machado. Lecionou, também, em Faria
Lemos. Em 1927, voltou para Leopoldina para tomar novamente o destino de
Carangola poucos anos depois, sob contrato com o Instituto Propedêutico
Carangolense. Posteriormente, fixou-se no Rio de Janeiro/RJ, onde trabalhou até
aposentar-se como professor do ensino secundário.
Em 1950,
foi encarregado de pintar os lugares onde se travaram os maiores combates da
Campanha de Canudos e outros recantos dos sertões da Bahia, Pernambuco, Alagoas
e Sergipe.
Funchal
Garcia é também o autor do mural do conjunto da concha acústica da Praça Félix
Martins, que retrata a lenda do Feijão Cru. O artista pertenceu à Associação
dos Artistas Brasileiros, à Sociedade de Homens de Letras do Brasil, à Academia
Valenciana de Letras e à Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais, como
representante do município de Leopoldina. Reconhecido em nossa cidade, empresta
seu nome a uma avenida do bairro São Cristóvão e é o patrono da cadeira nº 12
da Academia Leopoldinense de Letras e Artes - ALLA.
Diversos
trabalhos seus a lápis, a bico de pena, a óleo, aquarela ou pastel, receberam
elogios e alguns deles, prêmios. A tela “Pontão da Bandeira”, por exemplo, em
1939, foi escolhida para exposição na Galeria de Ciências e Artes da Feira
Mundial de Nova York e na Exposição Internacional de São Francisco, na
Califórnia.
Além das
suas obras como pintor, Funchal Garcia escreveu comédias e novelas e, como
jornalista, se destacou publicando matérias em diversos jornais e revistas de
Minas Gerais e do Rio de Janeiro, marcando importante presença nessa área,
conforme consta na introdução do seu livro Cachimbo e Cachaça, Verdade e
Fumaça.
Em 1937,
Funchal Garcia publicou o seu primeiro livro: Memórias de Ivan Trigal,
uma autobiografia
Do Litoral ao Sertão é seu segundo livro, no qual
relata suas viagens pelo interior do país, em especial, a sua estada em
Canudos, onde obteve o depoimento de testemunhas remanescentes da tragédia
conhecida como Campanha ou Guerra de Canudos.
Escreveu,
também, Retalhos da Minha Vida, em que retorna ao assunto do seu
primeiro livro e passagens de sua vida. Dois anos depois, lançou Cachimbo e Cachaça, Verdade e Fumaça, de cuja introdução se conclui que ele
deixou inéditos “livretes e livros”.
Segundo Paulo Mercadante, Funchal
Garcia “pincelava a exuberância da
natureza, a graça dos "flamboyants". […] O brado tropical, irrompendo
nas margens dos riachos, crescia com força não sufocada. Um modo de ser
bandeirante, que de pincel e tela, procurava o trecho de beleza escondida.
Alcançando as colinas, com os barrancos já feridos pela erosão, a perspectiva
era ampla e iluminada".
Os que
viveram em Leopoldina nas décadas de 1940 a 1960 certamente se lembram da
inesquecível dupla carnavalesca formada pelos saudosos Funchal Garcia e Dr.
Irineu Lisboa. Dois artistas do melhor teatro.
[1] Extraída da coluna Trem de História, do Jornal
Leopoldinense, edições 366 a 372 – nov/2018 a jan/2019.


eu fui aluno de aluno dele!MIGUEL ÃNGELO SEVERIANO DE MORAIS-MURIAÉ
ResponderExcluirQue ótimo, Miguel Ângelo. Ele foi um grande artista e professor.
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