sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Sacos de Lixo, poesia finalista do XXV Concurso Nacional de Poesias Augusto dos Anjos



SACOS DE LIXO

Autor: Carlos Ricardo de Oliveira (Juiz de Fora/MG)
Pseudônimo: Tigre da Ásia
Intérprete: Christoff Silva

A escuridão manchava as nuvens
de negro piche
e embaixo machucava o chão
de preto breu.
Não era escuridão total
qual paredão
murando e pondo na prisão
o pouco olhar
do derradeiro transeunte
que ali passasse
passos cansados seus de um dia
já bem passado.
Não era escuridão maior
como carvão
que alguns borrifos das estrelas
vivas no céu
e um tosco chuviscar de lua
já bem minguante
molhavam a mortiça rua
de alguma luz.
Sem sono um vento bem teimoso
arrepiante
ia raspando nas paredes
os seus ruídos.
Ia sozinho assobiando
todo embrulhado
em rotos trapos de neblina
toda esgarçada.
Portas, janelas bem trancadas
cheias de medo
guardando dentro mil segredos
dos moradores
um quê conferem de soturno
ao ambiente
do beco envolto por noturnos
sem melodia.
Naquela fria noite eu sigo
vou solitário
e adiante vejo amontoados
sem nitidez
sacos de lixo - deformados
no chão jogados.
Porém mais próximo chegando
sem querer ver
vejo que na calçada os sacos
ali deixados
de lixo? Não! São de crianças
adormecidas
sonhando com anjos e fadas
enquanto a noite
lenta e calma segue a esperar
um novo dia
que vai raiar sem ter crianças

jogadas - lixo - pelas calçadas 

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