quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Fanzine, Música e Lançamento de Livro no Museu Espaço dos Anjos

As atividades do dia 31 de outubro começaram à tarde, com uma Oficina de Fanzine em que os participantes foram estimulados à produção com o tema Augusto dos Anjos. À noite, após a apresentação musical do Grupo Antique, foi a vez do acadêmico Elias Fajardo participar das homenagens através do lançamento de seu último livro - Belo com o Abismo.

Ao apresentar-se, Elias mencionou algumas passagens da trajetória de Luiz Raphael e seu profundo vínculo com Augusto dos Anjos.

Alguns trechos da fala do acadêmico:

Um dos apelidos de Luiz Raphael era justamente “o mordomo de Augusto”. Isto reflete o grande interesse que ele tinha pela obra e pela pessoa do poeta Augusto dos Anjos.
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Depois de viver 9 anos no Rio, Luiz Raphael voltou para Leopoldina em 1972. Eram tempos difíceis aqueles, de ditadura militar e poucas perspectivas para o país. Mas ele resolveu transformar o limão numa limonada. Seu amor por esta cidade era tamanho que ele foi fundo na pintura, reconstituindo uma Leopoldina mais gentil e mais bela do que a que temos hoje.
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Em 1983, criou o Espaço dos Anjos, nesta casa. E foi se tornando aos poucos uma figura ímpar, um centro de referência na memória e na vida cultural de Leopoldina. Ele escolheu a dedo esta casa para alugar, pois nele viveu e morreu o poeta paraibano, cujo centenário de morte se comemora este ano com justas homenagens. Por isto louvo esta iniciativa de louvar também o Raphael, cujo trabalho de formiguinha foi tão importante para que esta cidade não se esqueça do que ela foi e do que ela é. 
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A memória às vezes nos prega peças: ela pode nos fazer recordar bons e maus momentos e situações, mas pode também nos levar a esquecer. Daí meu apelo a todos vocês: não esqueçamos o Raphael e a sua dedicação à cultura e à vida social desta cidade. Se hoje estamos aqui neste centro cultural tão bem cuidado e que é uma referência na memória local, isto se deve ao trabalho pioneiro do Fael ou Izo, como era também chamado.
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Lá estava ele: em festas de debutantes, decorando a cidade para o carnaval, pintando por encomenda as casas de muitos dos habitantes desta cidade, animando eventos escolares, fazendo piqueniques com os amigos na cachoeira de Piacatuba, desenhando e dando aula, comemorando a chegada da Primavera (nunca conheci ninguém, a não ser ele, que comemorasse a primavera). Se alguém quisesse se informar sobre o passado da cidade e da região, tinha um endereço certo no Espaço e nele uma figura sempre disposta a ajudar: o Raphael.
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Neste momento em que sua memória, de alguma maneira, está sendo esquecida, pois “tudo passa, tudo finda, da dor mais forte à ilusão mais linda”, cabe a nós lembrar seu trabalho de décadas, muito pouco remunerado e muito valorizado por quem o conheceu de perto e por quem aprecia, como nós, esta cidade.


 

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