Cadeira nº 9: SERGINHO DO ROCK

Compositor Popular

SERGINHO DO ROCK
Pela acadêmica Maria José Baia Meneghite


Antônio Sérgio Lima Freire (Serginho do Rock) nasceu no dia 26 de outubro de 1940, na chácara dos avós paternos, hoje na rua Farmacêutico Durval Bastos, bairro de Fátima em Leopoldina-MG. Filho de Antônio Bastos Freire (falecido em 1990), Tonico Bastos, e de Marília de Lima Freire, D. Sinhazinha.

Cursou o primário no Grupo Ribeiro Junqueira, hoje E. M. Ribeiro Junqueira e no antigo Colégio Santa Terezinha, em Leopoldina. O Curso Ginasial (hoje 2º ciclo) no colégio Santo Antônio (de freis franciscanos) em São João Del Rei-MG, vindo Completar no Ginásio Leopoldinense, hoje E. E. Prof. Botelho Reis. Serginho não se revelou "bom aluno", fazia 1 ano em 2 (diz D. Sinhazinha). O Curso "Básico" (hoje 2. Grau), sendo "obrigado", foi para o internato em Petrópolis e Rio de Janeiro.

Seu gosto pela música (sua sina musical, como cantava) foi despertado já na adolescência, quando o violão passou a ser seu companheiro inseparável. Participava de programas musicais na "Rádio Leopoldina", cantando e dançando Rock, daí o apelido "Serginho do Rock".

Foi durante 10 anos, funcionário da Caixa Econômica Federal no Rio de Janeiro. Cansado da vida na cidade grande, retornou a Leopoldina, sua terra natal, começando a trabalhar como secretário da Câmara dos Vereadores de Leopoldina, cargo que exerceu durante 22 anos. Bem mais tarde (mais ou menos em 75), já funcionário da Câmara Municipal de Leopoldina, cursou o magistério no CNEC onde reinava numa turma feminina.
Para o curso superior escolheu na FAFIC, Cataguases, o curso de História, colecionando em sua "Biblioteca Particular Heródoto de Helicarnasso" volumes valiosos sobre o assunto. Cursou até o 3º ano não optando pelo diploma, mas por uma vasta cultura literária e uma rica filosofia de vida onde só somou amigos, admiradores e fãs de todas as idades.
Participou, como redator, dos jornais "Equipe" e "A Tocha", juntamente com Lisboa. Foi criador do Grupo "Girassol Maravilhoso" que teve sua bandeira hasteada pela primeira vez em 09/07/83, data esta comemorada até hoje. Anteriormente, mais exatamente em outubro/82, criou o "Hipnótico", órgão oficioso do 'Girassol Maravilhoso". Assim o explicou: "Quando parece ser viável sermos compreendidos mesmo brincando com as palavras ou rasgando o verbo, é bom escrever; quando é possível registrar dentro do contexto descompromissado um ato ou vários atos que foram intensamente vividos, é bom escrever sobre isso; quando esses atos refletem fidelidade em uma alegre filosofia de vida, é bom ficar brigando com a gramática e buscando as palavras que venham expressar bem ou mal, momentos felizes que, se não forem devidamente registrados, estão fadados ao esquecimento. Daí a idéia do "Hipnótico", primeiro órgão de imprensa particular voltado inteiramente em divulgar histórias ou estórias de um bando sem glórias. É particular porque só receberia exemplares deste mensário, aqueles que julgarmos merecedores deste ato benevolente e altíssimo".
Serginho Rock, mais poeta que cantor, cantou sua cidade - defensor da ecologia - a natureza e homenageou amigos em suas belas canções. Possui mais de 80 composições, sendo as mais conhecidas - O Morro do Cruzeiro e Mineira Gostosa, que se tornou música e letra oficial do Município por iniciativa do vereador Antônio Valentim, aprovada por unanimidade e instituída pela Lei 2.783, sancionada pelo então prefeito municipal Dr. José Roberto de Oliveira. E Canto meu Ensimesmado que retrata a própria vida do autor.
Serginho encantou várias gerações, tendo fãs de 08 a 80 anos. infelizmente, no dia 07/08/95, Serginho faleceu, deixando saudosos os amigos e familiares que hoje se dedicam em preservar sua memória. Um de seus amigos, Hudson Rodrigues de Andrade escreveu após sua morte: "... vamos, levante-se, pegue seu violão e vamos recordar as músicas que você fez ou venha nos brindar com mais uma composição. Ainda temos tempo antes do almoço e do trabalho na prefeitura, se você não quiser tocar violão, vamos ouvir seu mais recente CD ou um dos seus muitos LP's (verdadeiras raridades). Vamos fazer tudo que você quiser, mas por favor, pelo amor de Deus, levante-se desta cama, está muito fria esta cama. Vamos até "O Pontilhão", vamos percorrer a "Rota da Alegria" e até sem violão, vamos cantar o "Vista Alegre Blues". "Vamos para o lado que ventar" enchendo os olhos com a brejeirice e encanto da "Mineira Gostosa". "Laginha" pode ser o próximo passeio de domingo. Você que fez o adanácio da indolência em "Tributo à Preguiça", cantou embevecido o "Morro do Cruzeiro", mostrou seu desprezo às pessoas mesquinhas ao cantar "Chute no Traseiro", compôs o hino hedonista do "Girassol Maravilhoso" e para cada lugar visitado, cada pensamento ou cada mensagem filosófica, você, sua inspiração, seu violão criaram momentos indeléveis, vibraram dentro de nós e forçam-nos a tentar arrancá-lo deste sono que não queremos aceitar de modo algum..."
Pessoa extremamente sensível, escondida atrás de sua aparência de "desligado", "debochado" e às vezes, "mal humorado" essa sensibilidade provada em seus preciosos achados (que ajudaram-nos na construção desta página) - guardava pequenas lembranças da infância, retratos inéditos da família, familiares e amigos no seu "pequeno grande mundo" do seu quarto - onde viveu e foi encontrado morto, por sua mãe na manhã de 07/08/95, com 54 anos de idade. Serginho deixou 02 irmãs, Marília Lima Freire (falecida a 15/01/98) e Maria Aparecida Freire Rezende (Cidinha), e, o único sobrinho, Marcio Freire Rezende, incumbidos, juntamente com seus amigos e o grupo do Girassol Maravilhoso, de divulgar sua obra. Hoje, são 2 CD's lançados, e, 2 para lançamento a médio prazo.



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